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Boi gordo fecha 2025 com exportações recordes, mas entra em 2026 sob cautela

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A pecuária de corte brasileira encerra 2025 em um patamar historicamente elevado de produção e exportações, consolidando o País como um dos principais fornecedores globais de carne bovina. O desempenho do setor ao longo do ano foi sustentado por ganhos de produtividade, maior previsibilidade comercial e forte demanda externa, mesmo em um ambiente de custos voláteis e consumo interno ainda pressionado.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o mercado do boi gordo apresentou maior estabilidade de preços em 2025 quando comparado a ciclos anteriores. Esse comportamento esteve associado, principalmente, ao avanço das exportações — que caminham para superar 3 milhões de toneladas no ano — e à adoção mais ampla de contratos a termo, reduzindo a exposição dos pecuaristas às oscilações do mercado spot.

Outro fator relevante foi a dinâmica da oferta. A retenção de fêmeas observada no segundo semestre, impulsionada pela valorização do bezerro e do boi magro, limitou o volume de animais disponíveis para abate em determinados períodos. Esse movimento ajudou a sustentar as cotações, mesmo diante do aumento da eficiência produtiva e do maior uso de tecnologias de manejo e nutrição.

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No front externo, o desempenho brasileiro seguiu favorecido pela conjuntura internacional. A recomposição lenta do rebanho norte-americano manteve a oferta global restrita, abrindo espaço para o avanço da carne bovina brasileira em diversos mercados. Ainda assim, a China segue como ponto central no radar do setor. Embora continue sendo o principal destino das exportações, qualquer ajuste no ritmo de compras ou mudança regulatória tem potencial de impactar diretamente a formação de preços no mercado interno.

Custos mais baixos de ração ao longo de 2025 — em razão da queda nos preços do milho e do farelo de soja — favoreceram sistemas intensivos, especialmente o confinamento. No entanto, esse alívio foi parcialmente compensado por altas pontuais em fertilizantes, defensivos e diesel, pressionando sistemas baseados em pastagens e produção de volumosos. Para 2026, a expectativa do Cepea é de manutenção de boa oferta de grãos, mas com atenção redobrada à volatilidade cambial, especialmente em um ano eleitoral.

A perspectiva para o próximo ano é de continuidade do bom desempenho das exportações, ainda que em ritmo mais moderado, e de um consumo doméstico levemente maior, condicionado à evolução da renda e da inflação. O confinamento tende a ganhar espaço, mas encontra limites na oferta de animais de reposição e na relação de troca entre boi gordo e insumos.

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No balanço geral, a pecuária de corte chega a 2026 com fundamentos estruturais robustos, apoiada em produtividade, escala e competitividade internacional. O desafio, segundo analistas, será transformar esse cenário favorável em rentabilidade consistente, em um ambiente que exigirá gestão rigorosa de custos, planejamento financeiro e leitura atenta dos sinais do mercado.

Dentro da porteira, a eficiência seguirá sendo o principal diferencial. Fora dela, o desempenho do boi gordo continuará cada vez mais conectado ao comércio internacional, reforçando o papel estratégico da pecuária brasileira na economia e no abastecimento global de alimentos.

Fonte: Pensar Agro

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Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes

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O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.

O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.

O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.

A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.

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O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.

Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.

Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.

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A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.

Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.

Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.

Fonte: Pensar Agro

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