AGRONEGÓCIO

ATÉ QUARTA: tarifaço americano coloca R$ 76 bilhões em xeque e coloca País em suspense

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Até esta quarta-feira (15.07), o setor agropecuário brasileiro vive um cenário de incerteza que pode alterar o fluxo de caixa de milhares de produtores. A possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos, que podem chegar a 37,5% sobre produtos nacionais, não é apenas um problema diplomático; é um desafio logístico e financeiro direto. Estamos falando de um volume de R$ 76,14 bilhões em exportações que agora correm o risco de perder competitividade ou, em casos extremos, serem barrados pelo mercado americano.

O governo brasileiro caminha em uma corda bamba. A estratégia é evitar a retaliação imediata e focar na ampliação da lista de exceções. O produtor deve encarar o momento não como uma sentença, mas como um alerta: o cenário de “comércio livre” está cada vez mais protegido por barreiras técnicas e ambientais.

A melhor defesa, além da diplomacia do Planalto, continua sendo a profissionalização da propriedade e a garantia de que o produto que sai da fazenda atende às normas mais rígidas, retirando qualquer desculpa para que o mercado externo aplique essas taxas.

Produtos estão na linha de tiro

Embora o governo brasileiro tenha conseguido proteger carne bovina, café verde e suco de laranja, a lista de impactos é extensa e atinge nichos importantes do agro. O risco maior recai sobre:

  • Madeira Processada: Com R$ 8,38 bilhões em exportações, este é um dos setores mais sensíveis. A sobretaxa encarece o produto final nos EUA, reduzindo a demanda por insumos brasileiros.

  • Sebo Bovino: Movimentando R$ 2,13 bilhões, o sebo é uma commodity fundamental para a indústria de biocombustíveis e químicos.

  • Complexo Sucroalcooleiro: Com R$ 2,05 bilhões em exportações, o açúcar e seus derivados perdem fôlego competitivo.

  • Café Solúvel: Com R$ 5,11 bilhões em vendas, este segmento enfrenta o desafio de manter seu espaço nas prateleiras americanas frente à taxação.

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Lei de Reciprocidade – A lei dá ao governo brasileiro o poder de taxar produtos americanos que entram no Brasil na mesma proporção que os nossos forem taxados lá. O problema é que o tiro pode sair pela culatra. Se o governo decidir, por exemplo, aplicar sobretaxas em fertilizantes, máquinas agrícolas ou insumos tecnológicos que importamos dos EUA, o custo de produção aqui dentro sobe instantaneamente.

Para o agricultor, isso significa que a Lei de Reciprocidade pode proteger o orgulho nacional, mas pode encarecer a safra e reduzir a margem de lucro na lavoura. É uma ferramenta de negociação que, se usada sem critério, gera uma “guerra” onde quem produz paga a conta mais alta.

Para quem está no campo e tem exposição a esses mercados, as recomendações técnicas seguem três pilares:

  1. Auditoria de Conformidade (ESG): Os EUA justificam parte das tarifas com investigações sobre trabalho forçado e desmatamento. O produtor deve revisar a rastreabilidade da sua produção. Se você vende para tradings que exportam, certifique-se de que sua propriedade tem a documentação ambiental em dia (CAR, licenças). Hoje, a conformidade é o seu melhor seguro contra barreiras.

  2. Diversificação de Carteira: Se a sua produção depende exclusivamente de um nicho que está na mira dos EUA (como o sebo ou madeira processada), é hora de buscar novos mercados. O mercado asiático e o Oriente Médio continuam comprando. O risco de “apostar todas as fichas” em um único destino comercial ficou evidente.

  3. Contratos de Hedge e Proteção: Se você tem produção travada para exportação com contrato futuro, reavalie os custos com sua corretora ou cooperativa. Se a tarifa for aplicada, o preço final pode sofrer ajustes. Proteja-se financeiramente contra a volatilidade cambial e de mercado que virá após o dia 15.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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