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Congresso do Algodão começa hoje com safra recorde no campo

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O 15º Congresso Brasileiro do Algodão começa nesta terça-feira, 22, em Belo Horizonte, no momento em que o Brasil consolida uma safra recorde e amplia sua liderança nas exportações mundiais da fibra. O encontro segue até quinta-feira, 24, no Expominas, com debates sobre produtividade, custos, mercado, sanidade das lavouras, sustentabilidade e tecnologias para a próxima temporada.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o País tenha produzido 4,14 milhões de toneladas de algodão em pluma na safra 2025/26, o maior volume da série histórica. O resultado representa crescimento de 1,5% sobre o ciclo anterior, mesmo com a redução de 3,2% da área plantada.

A produtividade média avançou 4,9% e alcançou 2.053 quilos de pluma por hectare. O desempenho compensou a retração do cultivo e mostra o peso da tecnologia, do manejo e das condições das lavouras na expansão da oferta brasileira.

No mercado externo, o País encerrou o último ano comercial com o recorde de 3,37 milhões de toneladas exportadas. A previsão é de que o Brasil permaneça na liderança mundial dos embarques em 2026/27, com aproximadamente 3,33 milhões de toneladas, à frente dos Estados Unidos.

É nesse cenário que produtores, pesquisadores, técnicos, consultores, empresas e representantes da indústria têxtil se reúnem em Minas Gerais. O Estado foi escolhido por sua estrutura para eventos e por ocupar a terceira posição entre os produtores brasileiros de algodão, atrás de Mato Grosso e Bahia.

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Na safra 2024/25, Minas produziu aproximadamente 78,4 mil toneladas de pluma. A cotonicultura mineira também vem ampliando a rastreabilidade e a certificação, atributos cada vez mais considerados por compradores interessados em conhecer a origem, as condições de produção e o percurso dos fardos até a indústria.

Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso deve receber cerca de 4 mil participantes. A programação reúne três plenárias centrais, 24 espaços temáticos, minicursos e workshops, com participação prevista de mais de 100 palestrantes.

A programação começa às 8 horas desta terça-feira, com café da manhã e abertura da área de exposição. A cerimônia oficial está prevista para as 10h15, acompanhada da celebração ao mérito científico. Das 11h15 às 12h30, a primeira plenária discutirá os efeitos do cenário econômico, geopolítico e comercial sobre a cadeia produtiva.

Durante a tarde, os participantes poderão escolher entre debates técnicos simultâneos. O controle do bicudo-do-algodoeiro terá dois painéis, um dedicado à integração dos programas estaduais e outro à possibilidade de avançar no combate à praga, considerada um dos principais fatores de custo e perda de produtividade da cultura.

Também serão discutidos manejo de nematoides, controle de plantas daninhas resistentes, fisiologia do algodoeiro em condições adversas, perspectivas para novas cultivares, irrigação e integração dos sistemas produtivos.

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Na quarta-feira, 23, os debates abordarão gestão de nutrientes, biotecnologia, manejo de lagartas, pragas sugadoras, doenças foliares, bioinsumos, qualidade da fibra, economia circular, gestão da produção, certificação e rastreabilidade. Uma das plenárias será dedicada às perspectivas do algodão brasileiro no mercado internacional e às estratégias para a safra 2026/27.

A rastreabilidade ganha importância à medida que o Brasil amplia sua participação nas exportações. A identificação da origem do fardo, o controle dos processos de beneficiamento e a comprovação das práticas adotadas nas propriedades ajudam a diferenciar a fibra brasileira e a atender exigências dos compradores.

O encerramento, na quinta-feira, terá discussões sobre mancha-alvo e ramulária, doenças capazes de reduzir a área foliar e comprometer o potencial produtivo. A programação também inclui minicursos de manejo fitossanitário na entressafra, bioinsumos, agricultura de precisão, tecnologia de aplicação e gestão de riscos.

Workshops tratarão ainda de liderança, funcionamento de algodoeiras e laboratórios de qualidade e produção em bases agroecológicas. Outro debate pretende aproximar o consumidor brasileiro da fibra natural, relacionando a escolha dos tecidos à saúde, ao meio ambiente e à estratégia da cadeia produtiva.

Fonte: Pensar Agro

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Assistência técnica recupera pastagens e fortalece pequena pecuária

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O acompanhamento técnico gratuito está ajudando 82 pequenos pecuaristas do sudoeste de Mato Grosso a melhorar o manejo do rebanho e aproveitar melhor as áreas já abertas. As propriedades atendidas somam cerca de 31 mil hectares de pastagens, dos quais 5 mil já receberam práticas de intensificação produtiva.

O trabalho está presente em 12 municípios e parte de um diagnóstico de cada propriedade. Técnicos avaliam o solo, o estado das pastagens, a disponibilidade de água, a alimentação do rebanho, o desempenho reprodutivo e a estrutura disponível. Com essas informações, produtor e equipe definem as mudanças prioritárias e os investimentos que cabem no orçamento.

A proposta é produzir mais na mesma área, evitando que o pecuarista precise ampliar a fazenda para aumentar a renda. O caminho pode envolver correção e adubação do solo, divisão de pastos, ajuste da lotação, melhoria da genética, organização da estação de monta e reserva de alimento para a seca.

Essa orientação ganha importância nas pequenas propriedades, onde um investimento feito no momento errado pode comprometer o caixa por vários meses. Em vez de recomendar um pacote igual para todos, o acompanhamento considera o tamanho do rebanho, a capacidade financeira da família e as condições de cada área.

O manejo das pastagens ocupa posição central. Quando o pasto perde capacidade de alimentar os animais, o gado demora mais para ganhar peso, a taxa de lotação diminui e o custo por cabeça aumenta. A recuperação gradual dessas áreas pode elevar a oferta de forragem e reduzir a necessidade de suplementação, sobretudo durante a estiagem.

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A assistência também ajuda o produtor a planejar o uso da água e a alimentação do rebanho ao longo do ano. A definição antecipada de áreas para pastejo, produção de silagem ou formação de reserva reduz o risco de decisões emergenciais na seca, quando os alimentos normalmente ficam mais caros.

Além dos 5 mil hectares com manejo intensificado, as propriedades participantes mantêm mais de 22 mil hectares de vegetação nativa conservada. Os números foram divulgados pelo Programa Produção Sustentável de Bezerros, iniciado em 2019 e atualmente desenvolvido em Mato Grosso e no Pará.

A conservação não aparece separada da atividade econômica. A regularização ambiental, o controle da origem dos animais e a rastreabilidade podem ampliar o acesso dos pecuaristas a crédito e a compradores que exigem comprovação sobre a procedência do gado.

O programa também orienta os produtores na organização de documentos, no planejamento financeiro e na avaliação das linhas de financiamento. O objetivo é evitar que a propriedade aumente a produção sem calcular o custo das mudanças ou assumir dívidas incompatíveis com sua capacidade de pagamento.

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Outra frente é a identificação dos animais desde a fase de cria. A rastreabilidade permite acompanhar o percurso do bezerro e comprovar que ele foi produzido em área regular. Esse controle tornou-se mais relevante com o aumento das exigências ambientais e sanitárias nos mercados compradores de carne bovina.

A iniciativa é conduzida pela Fundação IDH em parceria com a Mars, com atendimento de campo realizado pelo Instituto BioSistêmico (IBS). A orientação produtiva e gerencial é oferecida gratuitamente aos participantes. O programa já alcançou mais de mil pequenos pecuaristas desde sua criação.

Os dados divulgados até agora mostram a extensão atendida e as áreas submetidas a novas práticas, mas não apresentam uma média consolidada do aumento da produtividade ou da renda dos 82 participantes. Esses resultados dependerão do estágio de cada propriedade e do tempo necessário para que as mudanças no solo, nas pastagens e no rebanho apareçam nas contas.

A experiência, no entanto, mostra uma alternativa para melhorar a pecuária de cria sem avançar sobre novas áreas. Ao combinar conhecimento técnico, planejamento e conservação, o pequeno produtor passa a decidir com mais segurança onde investir e como extrair maior retorno da estrutura que já possui.

*Imagem: reprodução/broto.com.br

Fonte: Pensar Agro

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