AGRONEGÓCIO
Cooperativismo representa 18,2% do PIB estadual e supera R$ 40 bi em receitas
Publicado em
9 de julho de 2026por
Da Redação
O cooperativismo em Mato Grosso do Sul deixou de ser uma alternativa para se tornar o motor principal do estado. Com a marca de 18,2% do PIB estadual, o movimento não só se consolidou, mas provou que, em momentos de instabilidade climática e econômica, o modelo de ajuda mútua é a estratégia mais resiliente que existe.
Os números do Panorama do Cooperativismo 2026, que faz parte do relatório anual oficial do Sistema OCB/MS (Organização das Cooperativas Brasileiras no Mato Grosso do Sul), mostram um cenário de expansão: em apenas dois anos, o número de cooperados no estado saltou 26%, atingindo 738 mil pessoas. Mas para entender o que isso significa, precisamos olhar além das fronteiras sul-mato-grossenses. O que acontece hoje em MS é o reflexo de um Brasil que, aos poucos, se torna a maior potência cooperativista do planeta.
O “Efeito MS” no cenário brasileiro
Mato Grosso do Sul está na vanguarda do que chamam de “cooperativismo de escala”. Para entender a relevância do é preciso olhar a escala em que o cooperativismo opera. O modelo não é apenas uma “alternativa”, mas uma força econômica global.
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No Brasil: O sistema é o esteio do agronegócio e do crédito. Segundo dados consolidados da OCB Nacional (Organização das Cooperativas Brasileiras), o País conta hoje com cerca de 4.600 cooperativas e mais de 22,5 milhões de associados. Em 2025, o faturamento do sistema ultrapassou a marca de R$ 780 bilhões, sendo que o cooperativismo de crédito e o agropecuário representam mais de 70% desse movimento. A estabilidade do modelo brasileiro é o que permitiu que o País mantivesse o fluxo de crédito no campo mesmo durante a alta dos juros e as quebras de safra de 2024/2025.
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No Mundo: A força é de escala global. De acordo com a Aliança Cooperativa Internacional (ICA), existem 3 milhões de cooperativas ao redor do mundo, que empregam mais de 280 milhões de pessoas e atendem a 1,2 bilhão de associados. As 300 maiores cooperativas do mundo, juntas, movimentam anualmente mais de US$ 2,1 trilhões.
A nova força de trabalho
Um dado que merece destaque no relatório de 2026 é a composição do quadro de funcionários. Com 45,85% de mulheres na força de trabalho, o cooperativismo em MS está modernizando o campo. Se no passado a gestão cooperativista era vista como um ambiente puramente masculino, hoje, esse modelo mostra ser um dos mais inclusivos do agronegócio.
O desafio agora é de liderança: com 80% dos cargos de diretoria ainda ocupados por homens, o setor tem uma oportunidade clara de crescimento ao promover a igualdade nos conselhos administrativos, alinhando-se às melhores práticas de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa) globais.
Por que isso importa para o produtor?
Para quem está na ponta, no campo ou na gestão, os números do relatório trazem uma lição prática: escala.
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O cooperativismo de crédito (o maior ramo em MS) provou que o produtor não precisa ficar refém das oscilações do mercado financeiro tradicional.
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O ramo agropecuário (o maior empregador) provou que, quando o clima fecha, a união logística garante o escoamento.
O cooperativismo sul-mato-grossense de 2026 não é apenas um sucesso de gestão. É uma prova de conceito: em um mundo onde a instabilidade é a nova regra, ser “dono do próprio negócio” — através da união com o vizinho — continua sendo o melhor seguro contra as crises globais. MS não está apenas seguindo a tendência mundial; está ajudando a escrever o próximo capítulo do agronegócio sustentável.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Pressão sobre preços nos EUA abre nova oportunidade para o agronegócio brasileiro
Published
10 horas agoon
28 de agosto de 2026By
Da Redação
A escalada do custo dos alimentos e dos combustíveis nos Estados Unidos começa a produzir uma mudança que pode favorecer o agronegócio brasileiro. Pressionado pela inflação e pela proximidade das eleições legislativas de novembro, o governo de Donald Trump passou a adotar medidas para ampliar a oferta de produtos e tentar reduzir preços ao consumidor. Na carne bovina, a decisão já abre uma nova janela para exportadores do Brasil.
Trump autorizou nesta semana a entrada adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra pelas condições mais favoráveis da cota tarifária americana. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, entre setembro e novembro, e ficará disponível para países enquadrados na categoria de “outros países ou áreas”, na qual o Brasil disputa espaço com outros fornecedores.
A mudança é relevante porque a cota compartilhada à qual a carne brasileira tem acesso normalmente é preenchida rapidamente. Depois de esgotado o limite, os embarques passam a enfrentar uma tarifa extra-cota de 26,4%, reduzindo a competitividade do produto.
Com a ampliação temporária, abre-se espaço para que mais carne brasileira chegue ao mercado norte-americano sem essa tarifa adicional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera a medida uma oportunidade comercial, embora ressalte que o Brasil terá de disputar o novo volume com outros países habilitados.
O momento é particularmente favorável porque os Estados Unidos enfrentam falta de animais. O rebanho bovino americano caiu para o menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca, custos elevados e redução do número de matrizes. Como a recomposição do plantel leva tempo, aumentar as importações tornou-se uma das alternativas de curto prazo para ampliar a oferta.
O Brasil chega a essa abertura em posição importante. Entre janeiro e julho deste ano, os Estados Unidos compraram 233,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, 17,1% mais que no mesmo período de 2025, tornando-se o segundo maior destino do produto nacional.
No total, o Brasil exportou 1,97 milhão de toneladas de carne bovina nos primeiros sete meses de 2026, crescimento de 9,9%. A China continua como principal compradora, mas a abertura de espaço adicional nos Estados Unidos ganha importância justamente porque permite ao setor reduzir a dependência do mercado chinês.
Para o pecuarista brasileiro, uma demanda externa maior significa mais competição pela matéria-prima dentro do País. O efeito sobre a arroba não é automático, mas novos canais de exportação tendem a ampliar as alternativas comerciais dos frigoríficos e, principalmente em períodos de oferta mais ajustada de animais, podem contribuir para dar sustentação aos preços pagos pelo boi.
Combustível entra na mesma pressão
A carne não é o único produto que levou o governo americano a buscar alternativas para aumentar a oferta. A guerra contra o Irã elevou fortemente os preços do petróleo e levou a gasolina comum nos Estados Unidos para acima de US$ 4 por galão, cerca de US$ 1 a mais que há um ano.
Trump deve se reunir na próxima semana com representantes de refinarias e grandes redes de combustíveis para discutir formas de reduzir o preço nas bombas. O petróleo chegou a superar US$ 110 por barril durante o conflito, principalmente depois das restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passava aproximadamente 20% do petróleo mundial.
Nesta sexta-feira (28), as cotações internacionais recuavam e caminhavam para encerrar a semana em queda, acompanhando a retomada parcial do fluxo de navios pela região. Ainda assim, o petróleo permanece bem acima dos níveis anteriores à guerra.
A situação colocou também os biocombustíveis no centro da disputa. Os Estados Unidos possuem uma das maiores indústrias de etanol do mundo e adotaram neste ano metas recordes de incorporação de combustíveis renováveis. Ao mesmo tempo, refinarias pressionam por dispensas que reduziriam temporariamente suas obrigações de mistura.
O governo Trump discute justamente como aliviar os custos das refinarias sem prejudicar agricultores e produtores de biocombustíveis. Uma das possibilidades avaliadas é compensar eventuais dispensas concedidas agora com aumento das metas de combustíveis renováveis em 2027.
Para o Brasil, maior utilização de etanol nos Estados Unidos seria positiva para o mercado internacional, mas ainda não há uma decisão que permita afirmar que haverá aumento das compras do produto brasileiro. Ao contrário da carne bovina, portanto, a oportunidade para o etanol ainda é potencial.
O ponto em comum entre os dois mercados está na mudança de prioridade em Washington. Com alimentos e combustíveis mais caros pressionando o orçamento das famílias, o governo americano passou a procurar rapidamente formas de aumentar a oferta e reduzir custos.
Na carne, essa necessidade já derrubou parcialmente uma barreira que limitava o acesso ao maior mercado consumidor do mundo. Para o Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina e tem capacidade para ampliar embarques, a crise de preços americana pode se transformar em uma oportunidade adicional para pecuaristas e frigoríficos nos últimos meses de 2026.
Fonte: Pensar Agro
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