AGRONEGÓCIO

Estudo avalia que alta dos fertilizantes vai elevar custo da próxima safra

Publicado em

O FGV Agro, braço da Fundação Getúlio Vargas voltado à análise econômica do setor, avalia que a recente disparada nos preços dos fertilizantes, em meio às tensões no Oriente Médio, deve elevar o custo de produção da próxima safra no Brasil, pressionando a rentabilidade do produtor rural, ainda que o impacto sobre os preços dos alimentos não seja imediato.

Segundo o centro de estudos, o efeito imediato é reduzido porque grande parte das lavouras já foi plantada com insumos adquiridos anteriormente. Culturas como soja, arroz, milho de primeira safra e feijão já estão em fase final ou de colheita, o que impede a transmissão direta dessa alta para os preços ao consumidor neste momento.

O impacto mais relevante tende a aparecer no próximo ciclo. O Brasil depende de importações para cerca de 85% do consumo de fertilizantes, especialmente ureia, potássio e fosfatos. Esse nível de dependência expõe o produtor à volatilidade do mercado internacional, principalmente em momentos de instabilidade geopolítica.

Leia Também:  Ministério da fazenda revisa previsão do PIB agropecuário e aponta recuperação em 2025

A pressão externa é significativa. O Oriente Médio tem papel estratégico na oferta global desses insumos, concentrando parte relevante das exportações de nitrogenados. Com a escalada das tensões na região, os preços reagiram rapidamente, com destaque para a ureia, que acumula forte valorização nas últimas semanas.

Na avaliação da FGV Agro, o impacto varia conforme a cultura. O milho aparece entre os mais sensíveis no curto prazo, devido à alta dependência de fertilizantes nitrogenados. Arroz e trigo também exigem volumes elevados de nitrogênio e podem sofrer pressão de custo.

Já na soja, o efeito ocorre principalmente via fósforo e potássio, utilizados na reposição de nutrientes do solo. No caso da cana-de-açúcar, o uso intensivo de potássio também tende a elevar o custo de produção.

Apesar da alta dos fertilizantes, o centro de estudos destaca que o impacto sobre os preços dos alimentos depende de outros fatores, principalmente o clima. Safras com bom desempenho produtivo podem compensar custos mais elevados, enquanto perdas por seca ou excesso de chuva tendem a amplificar os efeitos dos insumos mais caros.

Leia Também:  Depois das intempéries e da ferrugem, agora lavouras de soja são ameaçadas por percevejos

No curto prazo, o principal vetor de pressão segue sendo o combustível. O diesel tem impacto direto nas operações agrícolas e no transporte da produção, influenciando os custos de forma mais imediata do que os fertilizantes.

Para o produtor, o cenário reforça a necessidade de planejamento antecipado da próxima safra. A definição do momento de compra de insumos e a estratégia de adubação passam a ser decisivas para proteger a rentabilidade diante de um ambiente mais volátil.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Preço mínimo do algodão sobe para R$ 119,13 por arroba

Published

on

Com uma produção estimada em 4,06 milhões de toneladas de pluma e apenas 8,1% das lavouras colhidas, o algodão brasileiro entra na fase decisiva da safra 2025/26 com perspectivas de oferta elevada e forte dependência do mercado externo. Nesse cenário, o governo reajustou em 3,82% o preço mínimo que servirá de referência para a comercialização da próxima temporada.

A Portaria nº 934, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, elevou o preço mínimo do algodão em pluma de R$ 114,58 para R$ 119,13 por arroba. O valor será aplicado à safra 2026/27, com períodos de vigência diferentes conforme a região produtora.

No Centro-Oeste, em Minas Gerais e no oeste da Bahia, onde está concentrada a maior parte da produção nacional, o novo preço valerá entre maio de 2027 e abril de 2028. No Sul e no Sudeste, com exceção de Minas Gerais, a vigência começará em março de 2027. Nas demais áreas do Norte e do Nordeste, a referência entrará em vigor em julho do próximo ano.

O governo também aumentou o preço mínimo do algodão em caroço, de R$ 45,83 para R$ 47,65 por 15 quilos. Para o caroço de algodão, utilizado principalmente na alimentação animal e na fabricação de óleo, o valor passou de R$ 6,73 para R$ 7,15, alta de 6,24%.

Os preços integram a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Na prática, funcionam como referência para eventuais operações públicas de apoio à comercialização quando as cotações ficam abaixo do patamar estabelecido. A existência do preço mínimo, porém, não significa que o governo comprará automaticamente a produção. As intervenções dependem de regulamentação, disponibilidade de recursos e decisão das autoridades econômicas.

Leia Também:  Agricultura digital deve crescer 183% e alcançar R$ 48,55 bilhões até 2026

A atualização ocorre enquanto os produtores começam a retirar do campo uma das maiores safras de algodão da história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula que foram semeados 2,02 milhões de hectares na temporada 2025/26, redução de 3,2% em relação ao ciclo anterior.

Mesmo com a área menor, a produtividade média da pluma deve aumentar 2,8%, para 2.011 quilos por hectare. A produção está estimada em 4,06 milhões de toneladas, apenas 0,5% abaixo do recorde de 4,08 milhões de toneladas registrado na safra passada.

O trabalho de colheita ainda está no começo nos principais Estados produtores. O Paraná já encerrou as atividades e São Paulo se aproxima do fim, enquanto Mato Grosso, responsável pela maior parcela da oferta brasileira, iniciou a retirada dos primeiros talhões. Na Bahia, segunda maior produtora, áreas de sequeiro já estão sendo colhidas, enquanto parte das lavouras irrigadas permanece em desenvolvimento.

Até o levantamento mais recente, 8,1% da área nacional havia sido colhida. Outros 78,4% das lavouras estavam em maturação e 13,5% ainda se encontravam na fase de formação das maçãs. Chuvas registradas entre maio e junho aumentaram a atenção para doenças e qualidade da fibra em algumas regiões, mas a Conab não identificou, até agora, perdas expressivas no rendimento nacional.

O tamanho da colheita reforça a importância das exportações para a sustentação dos preços. A Conab projeta embarques de 3,38 milhões de toneladas de pluma, volume equivalente a mais de 80% da produção estimada para a temporada. Parte desses embarques também poderá ser atendida pelos estoques acumulados de safras anteriores.

Leia Também:  Produtores rurais têm oportunidade de lucrar com o mercado de carbono. Veja como

Nos oito primeiros dias úteis de julho, o Brasil exportou 66,4 mil toneladas. A média diária ficou 55,5% acima da registrada no mesmo período de 2025, segundo acompanhamento da Conab. No mercado interno, compradores ainda aguardam a entrada de volumes maiores da nova safra antes de ampliar as negociações.

As cotações permanecem acima do preço mínimo atualmente vigente. Na semana encerrada em 10 de julho, a pluma foi negociada, em média, a R$ 128,35 por arroba em Mato Grosso e a R$ 136,67 na Bahia. A diferença oferece alguma proteção neste início de colheita, mas pode diminuir caso o avanço da oferta pressione o mercado ou as exportações percam ritmo.

O avanço da produção colocou o Brasil na terceira posição entre os maiores produtores mundiais, atrás apenas de China e Índia. No comércio internacional, o país ocupa a liderança e deve permanecer como o maior exportador global de algodão, à frente dos Estados Unidos, conforme as projeções do Departamento de Agricultura norte-americano.

A posição conquistada amplia as oportunidades, mas também deixa a renda do produtor mais exposta ao câmbio, às cotações internacionais e ao comportamento dos compradores asiáticos. Em uma safra superior a 4 milhões de toneladas, o novo preço mínimo representa uma referência de proteção, mas a capacidade de escoar a produção continuará sendo decisiva para as cotações recebidas no campo.

Fonte: Pensar Agro

Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA