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Profissionais debatem escuta especializada e proteção integral

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A formação Escuta Especializada e Depoimento Especial no Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente de Cuiabá teve continuidade nesta terça-feira (31), na sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá, com uma programação voltada ao esclarecimento conceitual, ao fortalecimento do acolhimento psicossocial e à integração dos fluxos da rede de proteção, reunindo profissionais que atuam diretamente na defesa dos direitos de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.A programação foi aberta com o debate sobre a diferenciação entre Escuta Especializada e Depoimento Especial, com facilitação da assistente social Aglaé Gollin e do psicólogo João Henrique Arantes, da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), além da psicóloga Valéria Martinazzo e da assistente social Fernanda Fachin, da Vara da Infância de Tangará da Serra. Durante a exposição, Valéria Martinazzo destacou os avanços obtidos a partir da construção de protocolos locais. “As informações chegavam desencontradas e havia muita confusão entre os conceitos; o protocolo nos ajudou a alinhar e dar mais agilidade aos depoimentos especiais”, afirmou. Ela também enfatizou o objetivo central da Lei nº 13.431/2017. “A lei vem para evitar a revitimização da criança e do adolescente, garantindo acolhimento adequado e proteção de direitos”, pontuou.Ao abordar a prática cotidiana da rede, Fernanda Fachin destacou a importância da capacitação contínua dos profissionais. “Uma formação não é suficiente, precisamos de preparação constante, com um olhar sensível, acolhedor e sem julgamentos”, disse. A assistente social também ressaltou o papel das escolas como espaço de confiança para as revelações. “O ambiente escolar é onde muitas crianças se sentem seguras para pedir ajuda, por isso investir na capacitação de toda a equipe é essencial”, completou.Na sequência, o psicólogo João Henrique Arantes ressaltou a necessidade de compreender criticamente a legislação e adaptá-la à realidade local. “É fundamental que a rede tenha clareza sobre os conceitos, limites e possibilidades da escuta especializada, do depoimento especial e da revelação espontânea”, afirmou. Segundo ele, a proteção integral envolve tanto o cuidado e acompanhamento das vítimas quanto a investigação e responsabilização. “São caminhos complementares, cada um com sua complexidade”, observou.A assistente social Aglaé Gollin apresentou a experiência da Deddica, destacando o modelo adotado em Cuiabá. “Temos uma equipe psicossocial dentro da delegacia, algo que acredito ser único no país”, afirmou. Ela explicou que, ao chegar à Polícia Civil, a criança ou adolescente já é acolhido pela equipe especializada. “Quando a criança está presente, nós já fazemos o atendimento naquele momento, buscando garantir proteção e cuidado desde a entrada”, relatou.O segundo painel abordou o aspecto psicossocial do acolhimento e acompanhamento de crianças e adolescentes vítimas de violência, com condução da psicóloga do Hospital Universitário Júlio Müller, Rosângela Kátia Sanches Mazzorana Ribeiro, e de Kelly Cristina Teixeira Brandão de Andrade, da área técnica de vigilância das violências do SUS de Cuiabá. Rosângela explicou o funcionamento do Projeto Ypê. “O foco são os casos agudos, nas primeiras 72 horas após a violência, com atendimento integral de uma equipe multidisciplinar”, destacou. Kelly Cristina apontou o potencial da atenção básica no fortalecimento da rede. “Com a cobertura das unidades básicas em Cuiabá, podemos ampliar muito a identificação e a notificação desses casos”, afirmou.Encerrando o dia, foram discutidos os fluxos e a integração da rede de proteção, com a apresentação de experiências de Várzea Grande e Cuiabá. A assistente social do MPMT em Várzea Grande, Michelle Moraes Santos, destacou o trabalho coletivo. “As pactuações são construídas de forma coletiva, com consenso e debate no grupo”, afirmou. Já a psicóloga Luzia Brenzan, do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual de Várzea Grande, ressaltou que a rede está em permanente construção. “O fluxo está em aprimoramento, e precisamos manter um olhar qualificado para perceber sinais que muitas vezes não são verbalizados”, disse.Encerrando as exposições, a assistente social do MPMT em Cuiabá, Talita Branth, apresentou a experiência da Rede Protege em Várzea Grande, destacando o fortalecimento do trabalho intersetorial como eixo central da iniciativa. “A Rede Protege tem como objetivo principal promover o trabalho intersetorial, fortalecer o conhecimento dos profissionais e estabelecer fluxos e protocolos que tornem o atendimento mais efetivo e articulado”, afirmou, ressaltando ainda a importância da formação permanente e da construção coletiva para a superação das fragilidades da rede de proteção.A formação é promovida pelo Grupo de Pesquisa Violes, da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (SNDCA), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do projeto “Enfrentamento às Violências contra Crianças e Adolescentes: descentralização e territorialização da Lei da Escuta Protegida”. A iniciativa tem apoio da 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá. O último módulo será realizado no dia 7 de abril e, para profissionais que fizeram inscrição no local, haverá uma seleção de acordo com o número de vagas. Os selecionados serão contactados via WhatsApp.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Projeto FloreSer retoma atividades na Escola Raimundo Pinheiro

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O projeto FloreSer, desenvolvido pelo Núcleo das Promotorias de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, iniciou uma nova etapa de rodas de conversa com estudantes da rede pública estadual. A Escola Estadual Raimundo Pinheiro, localizada no bairro Shangri-lá, em Cuiabá, foi incluída na programação e deverá receber atividades com 14 turmas dos 1º e 2º anos do Ensino Médio.A iniciativa, que conta com a parceria da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), promove diálogos com adolescentes sobre violência contra a mulher, prevenção e relacionamentos abusivos, especialmente entre jovens que estão iniciando suas primeiras relações afetivas.Nesta sexta-feira (24), 39 estudantes participaram de uma roda de conversa com a equipe técnica do Espaço Caliandra. A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra também esteve presente e alertou os adolescentes sobre a importância de reconhecer, desde o início de um relacionamento, os sinais de violência psicológica e moral.“É importante que, desde o início do relacionamento, saibam identificar os sinais de violência psicológica e moral, que são formas de violência tão ou mais graves do que a física e que, em muitos casos, podem levar ao feminicídio”, alertou.Machismo e influência das redes sociais – Durante o encontro, a promotora de Justiça destacou que a equipe do FloreSer tem identificado, nas atividades realizadas nas escolas, a presença de comportamentos machistas entre adolescentes, além da influência de discursos misóginos disseminados nas redes sociais.“Temos percebido que a atual geração é mais machista do que a anterior. Há estudos que mostram isso, e temos verificado a disseminação de discursos machistas e misóginos nas redes sociais, que exercem uma influência muito grande sobre os nossos jovens, além da dificuldade de lidar com a rejeição”, afirmou.Claire Vogel Dutra ressaltou ainda que comportamentos de controle e posse podem começar a ser reproduzidos ainda na adolescência e, posteriormente, contribuir para a escalada da violência nos relacionamentos.“Grande parte dos feminicídios ocorre porque o agressor não se conforma com o término do relacionamento e enxerga aquela pessoa como uma propriedade, como alguém que não tem vontade própria. Esse comportamento não começa na idade adulta. Ele se inicia muito cedo, dentro de casa, na forma como os pais se relacionam e educam os filhos, e acaba sendo reproduzido”, explicou.A inclusão da Escola Estadual Raimundo Pinheiro nas atividades do FloreSer ocorreu a partir de uma solicitação da Seduc, que identificou a necessidade de ampliar a abordagem sobre a violência de gênero entre os estudantes, especialmente adolescentes com idade entre 15 e 17 anos.A professora de Matemática Letícia Brito de Souza cedeu parte do horário de sua aula para a realização da roda de conversa e acompanhou o diálogo entre os estudantes e a equipe do Espaço Caliandra. Para ela, a abordagem preventiva é fundamental, principalmente porque muitos adolescentes convivem com situações de violência sem saber reconhecer os sinais ou buscar ajuda.“Desde cedo, eles precisam saber identificar situações que podem representar riscos à própria segurança e entender como evitá-las. Muitos deles vivem em contextos de violência dentro de casa e não sabem a quem pedir ajuda ou mesmo reconhecer os sinais”, destacou.A professora também ressaltou a proximidade dos educadores com os estudantes e a importância de criar espaços seguros para o diálogo. “Nós, como professores, convivemos bastante com eles e ouvimos relatos, principalmente das meninas, sobre situações de machismo e violência nos relacionamentos”, frisou.O projeto FloreSer busca contribuir para a prevenção da violência contra a mulher por meio da educação e da conscientização de adolescentes, promovendo reflexões sobre respeito, igualdade, masculinidades e relações saudáveis. A proposta é estimular os jovens a reconhecer comportamentos abusivos e romper, ainda na adolescência, com padrões de violência e de desigualdade de gênero.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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