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Bens doados pelo Judiciário passam a apoiar serviços agrários em Mato Grosso

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O Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) autorizou a doação de mobiliário e eletrodomésticos considerados inservíveis para a Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A medida permite o reaproveitamento de materiais que já não atendiam às necessidades internas, contribuindo para a continuidade de serviços públicos voltados à população.

A Comissão de Inventário de Bens Inservíveis do Tribunal de Justiça avaliou os itens e constatou que eles são classificados como antieconômicos, ou seja, ainda podem ser utilizados, mas apresentam custos de manutenção elevados ou já não atendem plenamente às exigências técnicas do órgão. Entre os fatores considerados estão a garantia expirada e o fato de os custos de reparo superarem metade do valor atualizado dos bens.

Entre os materiais destinados ao Incra estão condicionadores de ar, armários de diferentes modelos, escaninhos, biombos, bancadas, bebedouros, cadeiras, poltronas, divisórias, mesas usadas em formato de ilha, estações de trabalho, gaveteiros, além de eletrodomésticos como fogão, frigobar, refrigerador, umidificador e fragmentadora de papel. Os itens integram relação patrimonial avaliada previamente e foram considerados aptos para reaproveitamento em outro órgão público.

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A análise técnica e jurídica concluiu que não há impedimento para a transferência dos bens, desde que sejam cumpridas as formalidades administrativas necessárias e registrada a comprovação do recebimento pela entidade beneficiada.

A destinação dos itens busca garantir o uso social do patrimônio público, evitando o armazenamento de materiais em desuso e possibilitando que equipamentos ainda utilizáveis contribuam para a melhoria dos serviços prestados à sociedade. No caso do Incra, a iniciativa pode apoiar ações relacionadas à reforma agrária, regularização fundiária e inclusão produtiva no meio rural, que impactam milhares de famílias no estado.

O edital completo está disponível no Diário da Justiça Eletrônico (DJe) da última quarta-feira (18 de março), na página 9.

Autor: Adellisses Magalhães

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Estereótipos de gênero podem gerar injustiças no Direito de Família, alerta juíza

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Mulher de blazer preto fala ao microfone diante de plateia sentada. Ao fundo, telão com slide sobre campanha e banner do CEMULHER - Coordenadoria Estadual da Mulher“Não existe pai herói por fazer o que é sua obrigação, nem mãe menos dedicada por trabalhar fora”. A reflexão marcou a palestra da juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, durante a capacitação das Equipes Multidisciplinares das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, realizada na tarde desta quarta-feira (15) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com o tema “Estereótipos de Gênero no Direito de Família”, a magistrada chamou a atenção para a necessidade de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais reconhecerem e romperem padrões culturais que ainda influenciam decisões judiciais e atendimentos às mulheres em situação de violência.
Segundo a juíza Ana Graziela, a ideia de que a mulher deve ser sempre a principal cuidadora dos filhos, enquanto o homem ocupa exclusivamente o papel de provedor, ainda provoca julgamentos que podem comprometer a imparcialidade dos processos. “A gente não pode taxar as pessoas por um estereótipo. O pai não é herói por cuidar do filho, porque isso é obrigação. Da mesma forma, a mulher não deixa de ser uma boa mãe porque trabalha o dia inteiro ou conta com uma rede de apoio para cuidar das crianças”, afirmou.
Plateia sentada assiste palestra em auditório. Ao fundo, palestrante de preto fala ao microfone diante de telão com slide e banner do CEMULHER.Atendimento sem julgamentos
Durante a palestra, a juíza explicou que esses estereótipos podem resultar em violência processual, quando preconceitos e ideias pré-concebidas interferem na forma como mulheres são ouvidas, acolhidas e avaliadas pelo sistema de Justiça.
Ela destacou que é preciso evitar perguntas e conclusões que responsabilizem a vítima pela violência sofrida ou coloquem em dúvida sua credibilidade. “Não adianta essa mulher ser vítima em casa e, quando chega ao Fórum, sofrer um outro tipo de violência praticada pelo próprio poder público. Ela precisa encontrar acolhimento, não julgamento”, comentou.
Ao abordar a evolução histórica dos direitos das mulheres, Ana Graziela lembrou que muitos padrões sociais foram construídos ao longo dos séculos e ainda se refletem nas relações familiares e nas decisões judiciais. Por isso, defendeu que magistrados e equipes técnicas utilizem o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instrumento para reduzir vieses e garantir decisões mais justas.
Como mensagem final aos participantes, a magistrada reforçou que empatia e imparcialidade devem orientar a atuação de todos os profissionais que lidam com famílias e mulheres em situação de violência. “Precisamos quebrar os estereótipos de gênero. Um laudo deve ser construído sem julgamentos e baseado na realidade dos fatos. Quem trabalha com essas famílias precisa compreender o contexto em que elas vivem e atuar com empatia para evitar novas formas de violência”, concluiu.

Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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