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Entidades começam a discutir crédito, seguro e alívio para dívidas no Plano Safra 2026/2027

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A formulação do Plano Safra 2026/27 começou a ganhar contornos mais definidos com a apresentação de propostas por entidades do setor produtivo, que pressionam por mudanças na estrutura de crédito rural, maior integração com instrumentos de seguro e medidas emergenciais para enfrentar o avanço do endividamento no campo.

Um dos documentos encaminhados ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi elaborado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne mais de 400 representantes do setor privado, instituições financeiras, academia e sociedade civil. As contribuições, organizadas em notas técnicas, partem do diagnóstico de que a política agrícola precisa avançar na integração entre crédito, gestão de riscos e sustentabilidade.

A proposta sugere reforçar instrumentos já existentes, com foco em uma agropecuária mais resiliente a eventos climáticos extremos — fenômeno que tem pressionado a produção e ampliado a volatilidade de renda no campo. Entre os principais eixos está a ampliação do crédito para recuperação e conversão de pastagens degradadas, tanto em grandes propriedades quanto na agricultura familiar.

Outro ponto central é o fortalecimento da gestão de riscos. O documento propõe maior articulação entre crédito rural e seguro agrícola, com incentivos para produtores que contratarem apólices. Na prática, a ideia é reduzir taxas de juros para operações protegidas e encarecer o crédito para quem não adotar mecanismos de mitigação, criando um estímulo econômico à proteção da produção.

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As sugestões também avançam sobre a chamada Taxonomia Sustentável Brasileira, instrumento que busca classificar atividades econômicas conforme critérios ambientais, climáticos e sociais, orientando a alocação de recursos. A recomendação é aprofundar sua integração com o crédito rural e direcionar financiamentos para práticas alinhadas à agenda de sustentabilidade, além de priorizar pequenos produtores na distribuição de recursos dos fundos constitucionais.

No campo ambiental, o documento propõe maior conexão entre financiamento agrícola e políticas como o Código Florestal e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), ampliando incentivos para regularização e recomposição de áreas.

Paralelamente ao debate estrutural, cresce a pressão por medidas emergenciais. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) também encaminhou ao Mapa propostas voltadas ao enfrentamento do endividamento rural, que, segundo a entidade, já compromete a capacidade produtiva em diversas regiões.

A associação aponta uma mudança no perfil do crédito rural nos últimos anos. Embora o volume total tenha crescido, a expansão foi puxada principalmente pelas Cédulas de Produto Rural — títulos com juros livres — enquanto linhas tradicionais de custeio e investimento com taxas equalizadas perderam espaço.

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Na avaliação da entidade, essa distorção elevou o custo financeiro para o produtor, especialmente em um cenário de juros altos e margens mais apertadas. Como resposta, a Aprosoja defende a criação de um programa de alongamento de dívidas, com destinação de R$ 20 bilhões para renegociação de passivos, incluindo operações vencidas e a vencer.

A proposta prevê juros compatíveis com a atividade agropecuária, prazos mais longos e período de carência, além do uso de recursos de fundos constitucionais e do Fundo Social para viabilizar a repactuação e a retomada do crédito. A entidade também sugere ajustes na Medida Provisória nº 1.337/2026 para ampliar o alcance das medidas a produtores afetados por decretos de emergência.

O movimento de antecipação do debate ocorre em um momento de maior pressão sobre o setor, com aumento da exposição a riscos climáticos, custo elevado de financiamento e necessidade de recomposição de margens. Nesse contexto, a definição do próximo Plano Safra deve equilibrar demandas por crédito mais acessível, instrumentos de proteção e estímulos à sustentabilidade — três frentes que passam a ser tratadas como indissociáveis na política agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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Exportações de carne de peru crescem 23% e receita mais que dobra em 2026

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As exportações brasileiras de carne de peru seguem em trajetória de recuperação e registraram forte crescimento nos primeiros quatro meses de 2026. Entre janeiro e abril, o país embarcou 22.328 toneladas da proteína, volume 23,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. A receita alcançou aproximadamente R$ 454 milhões, avanço de 124,6% sobre os cerca de R$ 202 milhões obtidos nos quatro primeiros meses de 2025, segundo dados do Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura, compilados pelo Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná.

O desempenho foi impulsionado tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização da proteína no mercado internacional. O preço médio da carne de peru exportada pelo Brasil atingiu cerca de R$ 20,3 mil por tonelada no primeiro quadrimestre deste ano, alta de 77,6% em relação aos aproximadamente R$ 11,4 mil por tonelada registrados no mesmo período de 2025.

Os números ganham relevância em um setor que enfrenta retração do consumo doméstico há vários anos. Em 2025, a produção brasileira de carne de peru foi estimada em cerca de 138 mil toneladas, volume 7% inferior ao do ano anterior. Tradicionalmente associada às festas de fim de ano, a proteína tem perdido espaço no mercado interno para carnes de consumo mais frequente, como frango e suínos, levando a indústria a buscar novos mercados no exterior.

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Atualmente, praticamente toda a carne de peru exportada pelo Brasil é comercializada na forma in natura. Das 22.328 toneladas embarcadas entre janeiro e abril, 22.112 toneladas pertencem a essa categoria, o equivalente a mais de 99% do total exportado.

A cadeia produtiva permanece altamente concentrada na região Sul, responsável por cerca de 97% da produção nacional. Santa Catarina lidera o setor, com aproximadamente 62% da oferta brasileira, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 23%, e pelo Paraná, com 15%.

O protagonismo dos estados do Sul também aparece nos números das exportações. Santa Catarina liderou os embarques no primeiro quadrimestre, com 8.906 toneladas e faturamento de aproximadamente R$ 196 milhões. O Rio Grande do Sul exportou 8.663 toneladas, gerando cerca de R$ 145 milhões em receita. Já o Paraná embarcou 4.739 toneladas, com faturamento próximo de R$ 113 milhões.

Na comparação com o mesmo período de 2025, Santa Catarina ampliou suas exportações em 38,4%, enquanto o Rio Grande do Sul registrou crescimento de 21,2% e o Paraná avançou 6,9%. Quando analisada a receita, os resultados foram ainda mais expressivos. O faturamento catarinense aumentou 171,1%, o paranaense cresceu 113,1% e o gaúcho avançou 69,9%.

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O México se consolidou como o principal destino da carne de peru brasileira em 2026. O país importou 6.825 toneladas entre janeiro e abril, movimentando cerca de R$ 153,5 milhões. O volume embarcado para o mercado mexicano cresceu 319,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita avançou impressionantes 627,4%.

Na sequência aparecem Chile, com 3.323 toneladas e aproximadamente R$ 114,5 milhões em compras; África do Sul, com 3.027 toneladas e R$ 27,2 milhões; Países Baixos, com 1.611 toneladas e R$ 57,3 milhões; e Peru, com 1.071 toneladas e R$ 15,8 milhões.

Além dos principais compradores, a carne de peru brasileira também chegou a mercados como Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas, reforçando a estratégia de diversificação das exportações.

Embora represente uma fatia pequena do mercado de proteínas animais do país, a cadeia do peru mostra sinais de fortalecimento no comércio exterior. A combinação de preços mais elevados, aumento da demanda em mercados estratégicos e expansão dos embarques tem permitido ao setor compensar parte das dificuldades enfrentadas no consumo doméstico e ampliar sua participação no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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