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Vendas de soja se aproximam de 50%, enquanto oferta global maior pressiona preços

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A comercialização da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso alcançou 49,49% da produção estimada até o fim de janeiro, avanço mensal de 5,34 pontos porcentuais, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O ritmo é ligeiramente superior ao observado no mesmo período do ciclo anterior, quando as vendas estavam em 48,97%.

O avanço ocorre em meio ao início da colheita e reflete, principalmente, a necessidade de formação de caixa por parte dos produtores. Apesar disso, o volume negociado poderia ser maior. A queda das cotações ao longo de janeiro e a concentração dos trabalhos no campo reduziram a realização de novos contratos.

O preço médio das negociações ficou em R$ 104,12 por saca, recuo de 3,96% frente ao mês anterior, indicando que parte dos produtores optou por vender apenas volumes pontuais, aproveitando janelas específicas de mercado.

A estratégia predominante tem sido de cautela. Produtores travam parcelas da produção para garantir liquidez e custeio, mas evitam comprometer grandes volumes diante da incerteza de preços ao longo do ano.

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No cenário internacional, a maior oferta reforça esse comportamento. O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção brasileira para 180 milhões de toneladas, ante 178 milhões projetados anteriormente. Com isso, os estoques finais do País foram revisados para 37,91 milhões de toneladas, enquanto as exportações permanecem estimadas em 114 milhões de toneladas.

O aumento da disponibilidade global tende a manter as cotações pressionadas, sobretudo no segundo semestre, período em que o Brasil concentra embarques. Ainda assim, o País segue consolidado como principal fornecedor mundial da oleaginosa. A produção global foi ajustada para 428,18 milhões de toneladas, e os estoques finais passaram a 125,51 milhões.

A colheita brasileira também avança. Levantamento semanal indica que 17,4% da área plantada já foi retirada dos campos, percentual superior ao registrado no mesmo período do ano passado, embora ainda ligeiramente abaixo da média histórica de cinco anos.

Paralelamente, surgem os primeiros negócios da safra 2026/27, com 1,46% da produção futura já negociada e preço médio de R$ 102,33 por saca. O ritmo, porém, é considerado lento, reflexo da elevada oferta global e da ausência de sinais mais firmes de recuperação nas cotações.

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Nos Estados Unidos, os principais números permanecem estáveis, com produção estimada em 115,99 milhões de toneladas. Já a Argentina manteve projeção de 48,5 milhões de toneladas, com leve aumento nos estoques internos.

A demanda chinesa, principal destino da soja brasileira, segue inalterada, com importações projetadas em 112 milhões de toneladas. Mesmo com o consumo firme, o mercado opera sob expectativa de ampla disponibilidade global, cenário que mantém produtores brasileiros seletivos nas vendas e mais atentos à gestão de risco do que à antecipação de comercialização.

Fonte: Pensar Agro

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Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro

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A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.

O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.

O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.

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Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.

Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.

No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.

O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.

Leia Também:  Rezende lembrou ainda que a FPA tem se dedicado a defender a integridade do processo legislativo, afirmando: “A atuação incansável da Frente Parlamentar da Agropecuária na defesa do Marco Temporal e na busca por equilíbrio entre os interesses envolvidos merece destaque. A recente ação da deputada Célia Xakriabá e do deputado Chico Alencar, juntamente com a resposta firme da deputada Silvia Waiãpi na Comissão de Povos Indígenas, evidencia a importância de garantir que as decisões sejam tomadas de acordo com os princípios e normas estabelecidos. A FPA desempenha um papel crucial ao assegurar que o processo legislativo seja conduzido de maneira ética e transparente, respeitando os interesses de todos os setores envolvidos.”

O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.

Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.

Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.

Fonte: Pensar Agro

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