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Promotoria reforça ações no enfrentamento à violência de gênero

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A 15ª Promotoria Criminal de Cuiabá de Violência Doméstica e Familiar encerrou 2025 com uma atuação marcada pelo fortalecimento da rede de proteção, ampliação das ações preventivas e eficiência no trabalho judicial. Sob a condução da promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, a unidade registrou 1.945 processos judiciais em carga, 49 procedimentos extrajudiciais, 839 audiências realizadas, 314 denúncias oferecidas, 92 arquivamentos e seis requerimentos de medidas protetivas.Conforme a promotora de Justiça, 2025 foi um ano de consolidação. Claire Vogel Dutra, que assumiu a unidade no início do ano, focou inicialmente na aproximação com toda a rede de atendimento. Esse movimento incluiu visitas a diversas instituições como delegacias, Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Secretaria da Mulher, Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa, Ambulatório Estadual de Atenção à Transexualidade e Sala da Mulher do Hospital Municipal de Cuiabá, além da participação ativa em reuniões da rede e câmaras técnicas sobre enfrentamento ao feminicídio.A Promotoria também investiu na ampliação das ações preventivas, desenvolvendo projetos que dialogam com diversos públicos. Entre eles, o “Florescer”, lançado no Agosto Lilás, e o “Por Elas e Por Nós”, iniciado nos 21 Dias de Ativismo em novembro. Ambos seguirão em execução até dezembro de 2026.Claire Vogel Dutra destaca que a prevenção tem sido trabalhada como eixo central. “O Ministério Público está ao lado da sociedade, trabalhando para prevenir e enfrentar a violência. E a educação e a conscientização são fundamentais para romper o ciclo da violência. Esse é o caminho para mudar a cultura e evitar que os casos evoluam para agressões graves”, avaliou.Além da atuação voltada às mulheres, a 15ª Promotoria também tem direcionado esforços para o acompanhamento psicológico e os grupos reflexivos de homens autores de violência, reconhecendo que a reincidência precisa ser combatida de forma estruturada. A iniciativa será ampliada em 2026 com parceria de universidades públicas e privadas. “Tratar o agressor reduz drasticamente a reincidência. Sem isso, a violência se repete em outros relacionamentos”, ressaltou a promotora.Violência psicológica – Um dos pontos de maior atenção em 2025 foi o aumento dos casos de violência psicológica, que tem chegado com mais frequência ao Ministério Público. Ainda que muitas vítimas só procurem ajuda após a agressão física, Claire Vogel Dutra lembra que a violência psicológica é silenciosa e devastadora. “As marcas da violência psicológica são mais profundas. Ela destrói a autoestima e aprisiona emocionalmente. Por isso, é fundamental denunciar cedo”, afirmou.Pacote Antifeminicídio – O ano também foi marcado pelos primeiros efeitos do Pacote Antifeminicídio, aprovado em 2024. Para a promotora, o aumento das penas para feminicídio e outros crimes relacionados fortaleceu a resposta penal e ampliou a sensação de responsabilização. “Agora conseguimos manter mais agressores presos e evitar a perda rápida da possibilidade de punição, porque as penas maiores ampliam os prazos de prescrição”, explicou.A partir de 2026, o Observatório Caliandra apresentará dados atualizados sobre as condenações já proferidas com base nas novas regras, reforçando transparência e controle social.Planejamento – Em 2026, além de dar continuidade aos projetos “Florescer” e “Por Elas e Por Nós”, a Promotoria implementará outras duas iniciativas. A primeira será voltada a imigrantes, especialmente venezuelanos e haitianos, com ações de conscientização sobre a Lei Maria da Penha e prevenção da violência. A segunda, desenvolvida com universidades, ampliará o suporte psicológico e os grupos de reflexão para homens autores de violência.Além disso, o trabalho em rede continuará como prioridade, em alinhamento ao Planejamento Estratégico Institucional (PEI), com a execução de um novo projeto a ser implantado no Estado em parceria com a Subprocuradoria-Geral de Justiça de Planejamento e Gestão (Subplan) e o Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino. “Precisamos de um fluxo organizado e acolhimento imediato. Quando a mulher busca ajuda e encontra portas abertas em qualquer órgão, nós salvamos vidas”, acrescentou.Denúncia – Diante dos dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontam a morte de quatro mulheres por dia em 2025 em razão da violência de gênero, a promotora reforça a importância da denúncia. “A regra é que as medidas protetivas salvam vidas. A exceção ganha manchete, mas é minoria. Denuncie cedo, você não está sozinha”, destacou. A promotora ainda defende que a combinação entre proteção, acompanhamento psicológico e autonomia econômica é determinante para romper o ciclo da violência. “O MPMT está aqui para acolher, proteger e caminhar ao lado das mulheres. Nosso compromisso é garantir que cada vítima encontre apoio e segurança para reconstruir sua vida”, concluiu.O crime de violência doméstica pode ser denunciado ao MPMT de forma presencial diretamente nas promotorias de Justiça de todo o estado ou via Ouvidoria, que mantém canal exclusivo para esse tipo de atendimento via os números de WhatsApp (65) 99259-0913 e 99269-8113. O contato com a Ouvidoria pode ser feito também por meio do telefone 127 (custo de ligação local), aplicativo MP Online (disponível para os sistemas operacionais Android e iOS), e-mail [email protected] e formulário eletrônico de manifestação (acesse aqui).

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Qualificação profissional fortalece ações de ressocialização em MT

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta sexta-feira (17), de uma visita técnica às penitenciárias Central do Estado, masculina, e Ana Maria do Couto, feminina, em Cuiabá, voltada à articulação interinstitucional para a implantação de cursos de qualificação profissional destinados a pessoas privadas de liberdade.A agenda integra um esforço conjunto que também reúne o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), o Tribunal de Justiça (TJMT), a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal.A procuradora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, Josane Guariente, ressaltou a importância da qualificação profissional como eixo central da ressocialização.“Eu acredito que, graças às parcerias que acabaram dando muito certo, surge hoje essa ideia trazida pela dra. Thaylise, nessa tentativa de união das instituições, principalmente com relação à qualificação profissional, que é a joia rara desse projeto, porque não há como falar de ressocialização ou reinserção social sem a qualificação profissional”, disse a procuradora.O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das políticas de ressocialização no sistema penitenciário.“A qualificação profissional dentro do sistema penitenciário é uma ferramenta estratégica para a ressocialização. Quando oferecemos oportunidades concretas de aprendizado e certificação, estamos contribuindo diretamente para a redução da reincidência e para a construção de uma sociedade mais segura e inclusiva. Essa união de instituições mostra que estamos no caminho certo para transformar realidades”, disse.Durante a visita, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, desembargador Aguimar Peixoto destacou o caráter institucional da ação e o compromisso com a transformação social.“Nós queremos trazer cursos para qualificá-los e com a certificação de um órgão como o Senai, que é uma carta de apresentação para quando eles deixarem a prisão possam apresentar, sem que o tomador do serviço os discrimine. Eles estarão protegidos por uma iniciativa institucional, e consta nessa certificação que o curso é sério, embora ministrado dentro da penitenciária. Esse é o objetivo”, declarou o desembargador.A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, reforçou que a iniciativa busca criar oportunidades reais para o futuro.“Nosso objetivo é estabelecer relações entre as instituições de modo a trazer cursos de capacitação para as pessoas que estão hoje privadas da sua liberdade, mas que um dia retornarão para a sociedade. Nosso objetivo é que elas sejam capazes de devolver, em trabalho, recursos e benefícios, tanto para a sua família quanto para a sociedade e para si próprias. Estamos aqui para estender as mãos, fazer cursos e ampliar espaços. Estamos muito animados e é só o começo de uma grande mudança”, ressaltou.Representando o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), o gerente de Projetos e Parcerias, Marcos Ribeiro, destacou o papel da instituição na transformação social por meio da educação profissional.“Fizemos essa visita em nome do Sistema Indústria para apresentar as possibilidades de formação profissional junto ao Senai Mato Grosso, por meio dos grandes parceiros que temos aqui no Estado, trazendo qualidade profissional. A nossa diretora Fernanda e o presidente Silvio também acreditam na transformação social por meio da qualificação, e esse é o trabalho do Senai: transformar vidas para uma indústria mais competitiva”, afirmou.Também participou da visita o desembargador Orlando Perri, reforçando o engajamento do Judiciário na construção de políticas públicas voltadas à ressocialização.Com informações da assessoria da Sejus-MT

Fonte: Ministério Público MT – MT

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