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Adoecimento mental no trabalho é tema de evento do MPMT

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta‑feira (28), uma palestra dedicada ao tema “O impacto silencioso do adoecimento mental no ambiente de trabalho”, integrando a programação do Janeiro Branco 2026, campanha nacional que neste ano destaca o lema Paz, equilíbrio e saúde mental”. O evento ocorreu no auditório da Procuradoria‑Geral de Justiça, com transmissão online, reunindo membros, servidores e equipes técnicas.A abertura foi conduzida pela subprocuradora‑Geral de Justiça Administrativa, Januária Dorilêo, que representou o procurador‑Geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa. Em sua fala, ela destacou a urgência do debate. “O impacto silencioso do adoecimento mental no ambiente de trabalho é uma pauta atual, necessária e profundamente conectada com a realidade das instituições públicas e privadas”, afirmou. A subprocuradora‑Geral ressaltou que proteger a saúde mental de quem atua diariamente no Ministério Público faz parte da missão institucional de defesa dos direitos fundamentais. Segundo ela, os dados nacionais são preocupantes. “O adoecimento mental deixou de ser uma questão pontual para se tornar um desafio estrutural; os afastamentos por síndrome de burnout cresceram quase 500% entre 2021 e 2024”.Em seguida, os participantes foram convidados a vivenciar um momento simbólico de pausa, com a exibição de um trecho de um filme que aborda sobrecarga emocional e rotina exaustiva. A experiência, parte da iniciativa Cine Cuidar, buscou reforçar a importância de desacelerar.A programação seguiu com um diálogo conduzido pela promotora de Justiça Gileade Souza Maia, coordenadora do Programa Vida Plena; com a participação da procuradora de Justiça Esther Louise Asvolinsque Peixoto, corregedora‑geral adjunta; pelo médico Werley Peres; e pela assistente social do Vida Plena Tatiane de Oliveira. A promotora Gileade iniciou destacando a relevância da campanha. “O Brasil é conhecido como um dos países com o maior índice de pessoas ansiosas. É justamente por isso que temos uma lei dedicada ao Janeiro Branco, que busca promover a saúde mental”, disse, referindo‑se à Lei 14.535/2023. O médico Werley Peres aprofundou a discussão ao destacar que o adoecimento mental está diretamente ligado ao contexto de trabalho. “Atrás de cada processo existem vidas. E muitas vezes o servidor está em um ambiente que toca sua própria ferida emocional. Nem todos têm perfil para determinados setores, e isso pode ser um fator de adoecimento”, observou. Ele citou também dados sobre o crescimento dos transtornos ligados ao trabalho: “A quarta onda chegou. Só em 2025 foram mais de 292 mil afastamentos por doenças psiquiátricas”. Durante o diálogo, o médico ainda ressaltou a importância da atividade física como fator de proteção, afirmando que “profissional sedentário adoece mais e falta mais”, já que atividades que estimulam a endorfina tendem a melhorar humor e bem‑estar.A assistente social Tatiane de Oliveira lembrou que as instituições têm obrigação de mapear riscos psicossociais e oferecer apoio aos trabalhadores. “O trabalho pode ser tanto fator de proteção quanto de adoecimento. Por isso é essencial garantir ambientes de escuta qualificada que reconheçam a individualidade de cada pessoa”, afirmou.Já a procuradora Esther Louise Asvolinsque Peixoto ressaltou o papel humanizado da Corregedoria do MPMT. “Hoje nossa preocupação é entender o que o membro está passando. Quando estamos emocionalmente estruturados e tranquilos, o resultado do nosso trabalho é muito melhor”, afirmou. Para ela, a mudança de perspectiva institucional é fundamental para transformar o ambiente laboral.A procuradora de Justiça também lembrou também que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) tem investido na qualidade funcional e emocional com iniciativas como o programa Bem Viver.Projeto Pausa Consciente – Após o debate, foi exibido um vídeo de meditação produzido pelo Programa Vida Plena, seguido do lançamento do Projeto Pausa Consciente, apresentado por integrantes do programa, que convidaram os participantes a adotar momentos intencionais de descanso ao longo do dia como prática de autocuidado.“Nosso único objetivo é promover a saúde e bem-estar”, explicou a coordenadora do Programa Vida Plena promotora de Justiça Gileade Souza Maia.Cursos Ceaf – O coordenador substituto do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional, promotor Caio Márcio Loureiro, reforçou que a Escola Institucional já oferece cursos voltados à saúde mental e ao bem‑estar alinhados às políticas internas de cuidado. “O Ceaf também está aqui para evidenciar que não se trata de um tema periférico. Hoje vemos que a saúde mental influencia em todas as áreas. Como nós temos um chamado e uma missão de servir ao público é fundamental que o Ministério Público se preocupe e tenha olhar voltado para o tema”, destacou o promotor de Justiça, ao convidar membros e servidores para acessarem os novos cursos.Também estiveram presentes a subprocuradora‑Geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert; a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela; o coordenador administrativo da Corregedoria‑Geral, promotor Tiago de Sousa Afonso da Silva; e a promotora de Justiça auxiliar da Corregedoria Alessandra Gonçalves da Silva Godoi.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Acusado de assassinato contra mulher trans vai a júri

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O Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá realiza nesta terça-feira (04), às 9h, o julgamento de Junio Santos da Silva, acusado pelo assassinato da mulher trans conhecida pelo nome social Gisa (Gerardo Ribeiro Lima Junior). A sessão será realizada no Fórum de Cuiabá e contará com a atuação, pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), do promotor de Justiça Vinícius Gahyva.Conforme a denúncia oferecida pelo Ministério Público, o réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de asfixia, meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher, por se tratar de crime praticado contra mulher trans em contexto de discriminação de gênero. Segundo o MPMT, na madrugada de 7 de abril de 2024, em um terreno baldio localizado na Rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá, Gisa foi agredida com extrema violência, sofrendo diversos golpes na cabeça e sendo posteriormente asfixiada, lesões que causaram sua morte. A denúncia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe, mediante emprego de meio cruel e com utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público também apontou que a ação criminosa ocorreu em razão da condição de mulher transgênero da vítima, circunstância que ensejou a imputação da qualificadora de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Ainda segundo o Ministério Público, a investigação apontou que o acusado teria reagido de forma violenta ao descobrir que Gisa era uma mulher trans, circunstância que será apreciada pelos jurados durante o julgamento. A materialidade do crime foi comprovada por laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e demais elementos reunidos durante a investigação. Na sentença de pronúncia, a Justiça reconheceu a existência de indícios suficientes de autoria e determinou que o acusado seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes descritos na denúncia ministerial. O réu foi localizado e preso em novembro de 2024, no município de Matozinhos (MG), permanecendo custodiado desde então. Durante a fase de investigação, conforme registrado nos autos, ele admitiu a prática do crime em depoimento à polícia, embora tenha permanecido em silêncio durante o interrogatório judicial.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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