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Psicólogo alerta para práticas capacitistas disfarçadas de boa intenção em evento do TJMT

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O encerramento da 6ª edição do “TJMT Inclusivo: Capacitação e Conscientização em Autismo – etapa Cuiabá” trouxe uma reflexão profunda sobre como atitudes bem-intencionadas podem, na verdade, prejudicar a inclusão. A palestra “Práticas Inclusivas no Dia a Dia”, ministrada pelo psicólogo Dr. Gabriel Paes de Barros na tarde de sexta-feira (5), convidou o público a olhar para si mesmo e identificar comportamentos capacitistas que passam despercebidos no cotidiano.

Um dos principais pontos abordados foi a necessidade de enxergar pessoas com deficiência, antes de tudo, como pessoas. “Muitas vezes a gente acaba incorrendo em falas e atitudes preconceituosas, minimizando a capacidade dessas pessoas, tratando elas como se fossem coitadas”, alertou o psicólogo.

Ele citou exemplos comuns: evitar falar diretamente com a criança autista e se dirigir apenas aos cuidadores, como se ela não tivesse voz, ou usar diminutivos e “vozinha” ao falar com adultos autistas, como se fossem incapazes de entender.

Capacitismo velado

Dr. Gabriel trouxe à tona expressões capacitistas que fazem parte do vocabulário cotidiano: “Deu uma de João sem braço”, “Se fazer de surdo”, “Parece que é cego”. “É muito fácil descrever o que a gente quer sem fazer referência a uma deficiência, e ainda mais como se fosse de maneira completamente pejorativa”, pontuou.

Ainda mais problemáticas são as frases disfarçadas de elogio: “Nem parece autista”, “É um caso de inspiração”, “Todo mundo é meio autista”. Segundo o palestrante, essas falas invisibilizam a pessoa autista e romantizam dificuldades que são, na verdade, impostas pela própria sociedade.

O psicólogo explicou que a incapacidade não está na pessoa autista, mas na sociedade que impõe barreiras. “Enquanto a gente não promove formas adequadas de comunicação, quando a gente não entende necessidades ou acomodações sensoriais, outras formas de acessibilidade, a pessoa não tem as condições boas para o seu desenvolvimento”, afirmou.

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Esse tratamento inadequado afeta diretamente a autoestima e a socialização. Dr. Gabriel compartilhou que trabalha principalmente com adolescentes autistas que cresceram sem os cuidados adequados e, por isso, passaram a vida sem amigos, isolando-se. “No trabalho clínico, a gente vai para cinema, para restaurante, faz passeio no parque, grupos terapêuticos, para que a pessoa se sinta pertencente àquele espaço”, relatou.

A regra de ouro: pergunte

A melhor fonte de informação sobre uma pessoa autista é ela mesma. “Não sabe como tratá-la? Pergunte. Não sabe o que ela gosta? Pergunte. Tem dúvida sobre incômodos? Pergunte”, orientou o palestrante, ressaltando que nenhuma pessoa autista tem obrigação de ensinar, mas que é responsabilidade de todos buscar informação e conhecimento.

Além das práticas individuais, Dr. Gabriel destacou a importância de transformações institucionais: adaptação de ambientes, formação de profissionais, políticas públicas efetivas, inclusão real nas escolas com apoio adequado e uso de comunicação alternativa e aumentativa.

O palestrante enfatizou o princípio “nada sobre nós sem nós”, destacando que decisões sobre pessoas autistas devem incluir a participação delas. “É muito importante que essas pessoas tenham voz nesses eventos. Essas mudanças sociais não vão acontecer de maneira plena se as próprias pessoas autistas não participarem dessas decisões”, afirmou.

Ao encerrar, o psicólogo deixou uma reflexão: “As barreiras das deficiências não estão na pessoa, estão na sociedade. Tendo acesso a essa informação, estamos em posição de responsabilidade: seremos parte do problema ou parte da solução?”

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Sobre o evento

O TJMT Inclusivo: Capacitação e Conscientização em Autismo é organizado pela Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso, Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores. Esta é a segunda vez que Cuiabá recebe a capacitação, que já passou por Sinop, Sorriso, Cáceres e Rondonópolis. O evento, realizado na Igreja Lagoinha Cuiabá, foi voltado a magistrados, servidores, profissionais da saúde e educação, familiares de pessoas autistas, estudantes e sociedade em geral, com transmissão simultânea pela plataforma Microsoft Teams.

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Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Fórum de Feliz Natal abre edital para doação de bens móveis inservíveis

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O Fórum da Comarca de Feliz Natal publicou edital para a doação de bens móveis considerados inservíveis para o Poder Judiciário. Podem participar órgãos públicos municipais, estaduais e federais, além de entidades sem fins lucrativos reconhecidas como de utilidade pública e organizações da sociedade civil de interesse público.

Entre os itens disponíveis estão aparelhos de ar-condicionado, monitores, CPUs, scanners, impressoras térmicas, bebedouros, telefones, mesas, armários, cadeiras e outros equipamentos. Os bens foram classificados como ociosos, obsoletos, antieconômicos ou irrecuperáveis para as atividades do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Quem pode solicitar

Os interessados devem protocolar o pedido por meio do Protocolo Administrativo Virtual (PAV) do Tribunal de Justiça, no endereço eletrônico: https://pav.tjmt.jus.br/ , indicando os bens pretendidos e apresentando a documentação exigida no edital. O prazo para envio das solicitações é de 15 dias úteis, contados a partir do primeiro dia útil após a publicação do edital no Diário da Justiça Eletrônico.

Entre os documentos necessários estão requerimento formal com justificativa, comprovante de inscrição no CNPJ, documentos que comprovem a constituição e representação da entidade ou órgão, documentos pessoais do representante legal, comprovante de endereço atualizado e certidão de regularidade fiscal perante a Fazenda Pública Federal.

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Critérios de prioridade

A distribuição dos bens seguirá ordem de prioridade definida pelo edital: órgãos públicos municipais, estaduais e federais; entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos reconhecidas como de utilidade pública pelo Estado de Mato Grosso; e organizações da sociedade civil de interesse público. Em caso de empate, terá preferência quem protocolar o pedido primeiro.

Os bens serão entregues no estado em que se encontram, mediante assinatura de Termo de Doação. As despesas com retirada e transporte serão de responsabilidade da instituição contemplada. O edital foi assinado pelo juiz diretor do Foro da Comarca de Feliz Natal, Fernando Akio Maeda.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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