AGRONEGÓCIO

Brasil acelera estratégia para reduzir dependência de fertilizantes

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O governo federal voltou a colocar a produção doméstica de fertilizantes no centro da agenda estratégica do agronegócio. Com a demanda projetada para saltar das atuais 45 milhões de toneladas para 77 milhões até 2050, o país tenta, pela primeira vez em décadas, reverter o quadro de forte dependência externa — hoje na casa de 90%.

A meta estabelecida pelo Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) é ambiciosa: reduzir esse percentual para cerca de 50% nas próximas duas décadas, em linha com a expansão da área cultivada e da intensificação produtiva que tendem a marcar o agronegócio brasileiro no longo prazo.

As projeções foram reforçadas por Paulo Cesar Teixeira, pesquisador da Embrapa Solos, durante o lançamento do estudo “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2025”, elaborado pela Firjan. Segundo ele, o PNF funciona como um marco orientador após anos em que a indústria nacional perdeu espaço. “É o ponto de virada. Houve, no passado, uma escolha de não priorizar a produção interna, mas o cenário mudou. A segurança alimentar global e a competitividade do agro exigem uma indústria forte”, afirmou.

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O debate ganha força justamente porque o fertilizante é um dos insumos mais sensíveis da cadeia produtiva: pesa diretamente no custo de produção, define níveis de produtividade e está sujeito à volatilidade geopolítica. A crise internacional de 2022, marcada pela guerra no Leste Europeu, expôs essa fragilidade ao elevar preços e pressionar margens de produtores no Brasil.

Um dos caminhos para escapar do risco estrutural é ampliar a base de produção em estados considerados estratégicos — caso do Rio de Janeiro, que reúne uma das maiores ofertas de gás natural do país. O insumo é fundamental para a produção de nitrogenados. Bernardo Silva, diretor-executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes, avalia que o estado tem condições de ser um polo relevante para essa reindustrialização. “O Rio possui infraestrutura, setor energético robusto e capacidade instalada que pode ser reativada ou expandida”, disse.

Além da redução da dependência externa, há um ganho ambiental relevante. De acordo com Thiago Dahdah, diretor de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário do Mapa, o potássio importado chega ao país com uma pegada de carbono mais de 90% maior, consequência direta do transporte de longas distâncias por navios e rotas logísticas complexas. “Produzir aqui significa diminuir emissões e reduzir gargalos logísticos. É segurança para a cadeia e previsibilidade para os produtores”, destacou.

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A consolidação do PNF, somada ao avanço da petroquímica e a novos investimentos privados previstos para o setor, indica que o país começa a reposicionar sua indústria de fertilizantes após décadas de retração. Para o produtor rural, a mudança tende a significar menor vulnerabilidade a choques internacionais, custos mais estáveis e maior competitividade no campo — elementos essenciais para sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro nos próximos 25 anos.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Expocitros encerra debates sobre greening, clima e sustentabilidade

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Responsável por liderar a produção e as exportações globais de suco de laranja, a citricultura brasileira encerrou na última semana um de seus principais fóruns de discussão em meio a desafios que vão do avanço do greening às mudanças climáticas e à necessidade de ampliar a sustentabilidade da produção.

Realizadas entre os dias 26 e 29 de maio, em Cordeirópolis (376 km da capital, São Paulo), a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura reuniram cerca de 12 mil participantes entre produtores, pesquisadores, consultores, empresas, cooperativas, estudantes e lideranças do agronegócio.

O encontro ocorreu em um momento estratégico para o setor. Apesar de manter a posição de maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, a citricultura brasileira convive com pressões sanitárias e climáticas que têm impactado diretamente a produtividade dos pomares.

A safra 2025/26 do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro foi encerrada em 292,9 milhões de caixas, volume 26,9% superior ao ciclo anterior, mas ainda afetado pelos efeitos do déficit hídrico e da elevada incidência de greening.

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Considerada atualmente a principal ameaça à citricultura mundial, a doença já atinge 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola brasileiro, segundo levantamento do Fundecitrus. Embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado nos últimos dois anos, pesquisadores alertam que o avanço do greening continua pressionando a produção e elevando os custos de manejo das propriedades.

Foi justamente diante desse cenário que a programação técnica da Semana da Citricultura concentrou debates sobre sanidade vegetal, irrigação, fertilidade do solo, bioinsumos, manejo fitossanitário, sustentabilidade, mercado internacional e novas tecnologias voltadas ao aumento da eficiência produtiva. O objetivo foi discutir estratégias capazes de aumentar a resiliência dos pomares diante dos desafios sanitários e climáticos que afetam a atividade.

Segundo avaliação do Centro de Citricultura Sylvio Moreira/IAC, a edição de 2026 reforçou a importância da integração entre pesquisa, empresas e produtores para garantir a competitividade do setor nos próximos anos. “Encerramos esta edição com a certeza de que a citricultura brasileira segue forte, conectada à pesquisa, à inovação e às demandas globais”, afirmou.

Outro destaque da edição foi a manutenção do selo de Evento Carbono Neutro, refletindo uma tendência cada vez mais presente na cadeia citrícola. A agenda ambiental ganhou espaço entre produtores e empresas diante das exigências dos mercados internacionais e da crescente demanda por sistemas produtivos alinhados a critérios de sustentabilidade.

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Com mais de cinco décadas de história, a Expocitros e a Semana da Citricultura seguem como os principais espaços de discussão técnica e estratégica da cadeia citrícola brasileira. Em um cenário de transformações sanitárias, climáticas e econômicas, os eventos reforçaram a necessidade de inovação, pesquisa e planejamento como pilares para sustentar a liderança do Brasil no mercado global de citros.

Fonte: Pensar Agro

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