AGRONEGÓCIO

FPA denuncia avanço de invasões de terras e cobra ação do governo

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se reuniu nesta terça-feira (18.03) para discutir o crescimento das invasões de terras no Brasil, com destaque para o sul da Bahia e o Espírito Santo. Parlamentares relataram que grupos armados estão ocupando propriedades, expulsando produtores e promovendo saques, o que, segundo a bancada, configura a atuação de organizações criminosas e não apenas movimentos sociais.

O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, afirmou que a situação na Bahia ultrapassa a disputa por terras e representa um problema grave de justiça e segurança pública. “Bandos armados estão tirando produtores de suas casas com a conivência do governo do estado. Precisamos de medidas urgentes do Tribunal de Justiça da Bahia e do Conselho Nacional de Justiça. Aqui em Brasília, vamos atuar para evitar uma batalha campal na região”, declarou.

O deputado Evair de Melo alertou para a atuação do Movimento de Luta pela Terra (MLT), que, segundo ele, se soma ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em ações criminosas. “Esses grupos são quadrilhas organizadas que invadem propriedades. Estamos nos aproximando da safra do café e eles já estão roubando café verde de dentro das lavouras. A Bahia virou a Faixa de Gaza do Brasil”, comparou o parlamentar.

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O ex-ministro da Cidadania João Roma reforçou que o crime organizado se aproveita de áreas produtivas de alto valor econômico e manipula cidadãos, transformando-os em sem-terra ou indígenas para justificar invasões.

“Estamos atingindo um nível de risco muito alto, com a anuência de muitos que deveriam conter a situação. Existem formas de resolver o problema e a FPA atuará para impedir que esse cenário se agrave. O governo federal precisa aparecer e acabar com tudo o que ele mesmo reforça”, alertou.

Além das denúncias sobre insegurança no campo, a FPA também debateu os desafios logísticos enfrentados pelo setor. Pedro Lupion destacou a necessidade de investimentos para reduzir os custos de frete e melhorar a infraestrutura de armazenagem, que já apresenta defasagem significativa. Segundo ele, a alta carga tributária e a falta de investimentos comprometem a competitividade do agronegócio brasileiro.

“Precisamos apresentar essa demanda aos grandes investidores globais para que possam nos auxiliar. Essa é uma medida imprescindível para que o Brasil exerça seu papel como um dos principais players do mercado internacional”, ressaltou Lupion.

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Diante da falta de prioridade do governo federal para melhorias na infraestrutura, a bancada defende o estímulo à participação da iniciativa privada e de fundos internacionais. A expectativa da FPA é que as demandas do setor sejam contempladas no Plano Safra, priorizando investimentos em armazenagem e na ampliação dos modais ferroviário e rodoviário para o escoamento da produção agrícola.

Com a proximidade da safra de café e outras culturas, os parlamentares reforçaram a necessidade de ações rápidas para evitar novas invasões e prejuízos à produção. A FPA seguirá pressionando as autoridades para garantir maior segurança no campo e solucionar os entraves logísticos que impactam o desenvolvimento do agronegócio no país.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

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Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

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Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

Fonte: Pensar Agro

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