Autor de feminicídio praticado no distrito de Conselvan, na zona rural do município de Aripuanã (1.002 a noroeste de Cuiabá), foi preso pela Polícia Civil, nesta segunda-feira (08.07), em cumprimento de mandado judicial.
O investigado de 31 anos teve a prisão preventiva decretada pela Vara Única da Comarca local, após investigação da Delegacia de Aripuanã para apurar a ocorrência registrada inicialmente como acidente de trânsito.
Na noite do dia 30 de junho, a Polícia Militar foi acionada para atender um acidente envolvendo uma motocicleta conduzida por Daiane Pacífico da Silva, 21 anos, e na garupa estava o seu esposo.
Relatos preliminares eram de que a motociclista havia perdido o controle do veículo, e com o acidente veio a falecer. Na ocasião, o esposo chegou a ser conduzido pelos militares como vítima, para prestar esclarecimentos.
Conforme o delegado de Aripuanã, Marco Bortolotto Remuzzi, naquele momento o marido não foi preso pois todos os indícios aparentavam ser um acidente de trânsito causado supostamente pela própria vítima.
Porém, o médico que atendeu a vítima não emitiu laudo por acreditar que havia inconsistência nas informações, o que gerou desconfiança dos policiais civis sobre a versão apresentada pelo suspeito.
Diante dos fatos, o corpo da jovem foi encaminhado para Perícia Oficial e Identificação Técnica de Juína, e na última terça-feira (02.07), que confirmou que Daiana Pacífico da Silva foi morta por arma de fogo, e o disparo foi feito próximo da sua cabeça.
Com base no laudo pericial, a Polícia Civil imediatamente representou pela prisão preventiva do investigado pelo crime de homicídio qualificado (feminicídio) deferida pela Justiça.
Nesta segunda-feira (07), o suspeito compareceu na Delegacia de Aripuanã e ao ser ouvido negou as acusações, bem como apresentou uma versão desconexa e incompatível ao laudo pericial. Após o interrogatório, o suspeito foi cientificado da prisão e o mandado devidamente cumprido. Na casa do investigado foram apreendidas duas armas de fogo legalizadas, um revólver calibre 38 e um rifle calibre 22, que serão periciadas.
O delegado Marco Bortolotto Remuzzi destacou a dedicação de toda equipe que atuou de forma rápida e eficiente para elucidar o caso, assim como a celeridade do Ministério Público e do Judiciário.
“As investigações, que estão em estágio avançado, prosseguem para esclarecer ainda alguns pontos do caso, uma vez que o suspeito apresentou fatos contrários das provas colhidas. Ele será indiciado por feminicídio”, finalizou Marco Remuzzi.
Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora
A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.
Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.
Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.
Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.
O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.
Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.
Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.
Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.
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