Ministério Público MT

Encontro estadual aborda defesa do patrimônio público

Publicado em

Foi aberto na manhã desta quinta-feira (23), no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça em Cuiabá, o Encontro da Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público. Destinado aos membros do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em atividade na área, o evento é uma oportunidade de intercâmbio de experiências e de aprimoramento da atuação funcional, no qual serão debatidas questões relacionadas à gestão do patrimônio e educação patrimonial, bem como estratégias eficazes de autocomposição em situações afetas ao patrimônio público. 

O procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz Junior, falou sobre o momento vivenciado de dúvidas em relação às alterações na Lei da Improbidade Administrativa. “Tenho acompanhado algumas discussões e vejo dois cenários. Um de bastante desolação em relação à própria lei, de como os Tribunais Superiores vão interpretar isso ao final. E um outro de esperança, de acreditar que alguma coisa vai morrer para outra nascer”, ponderou. 

“O Ministério Público jamais deixará de ser Ministério Público, está no seu DNA ser uma instituição combativa, aguerrida, propositiva e agora resolutiva. E nós temos dois caminhos: lamentar aquilo que perdemos, nos acomodar e permitir que outras instituições se apoderem de espaços que foram nossos, ou fazermos uma autocrítica, talvez até de um passado não muito distante, do mal uso que fizemos em algumas situações da Lei de Improbidade, gerando ou dando causa à consolidação de uma jurisprudência negativa”, refletiu. 

Conforme o PGJ, o Congresso Nacional reverbera excessos e também omissões. “Mas entre lamentar e fazer há um caminho muito grande. E eu tenho certeza que com as palestras deste evento teremos luzes projetadas sobre o caminho que devemos seguir”, declarou, esperançoso. 

“Aproveito para concitar nossos colegas: até que ponto nós temos sido eficientes nos últimos anos? Porque a eficiência que se espera de um promotor de Justiça do Patrimônio Público não é a proposição de uma ação belíssima e bem arrazoada, e sim o resultado final disso. Quanto de patrimônio, efetivamente, nós conseguimos recuperar ao erário? Quantas pessoas, de fato, tiveram os seus direitos suspensos e penalidades aplicadas? E se isso tem surtido o efeito desejado para construirmos um ambiente democrático em que realmente a coisa pública seja respeitada como algo bastante objetivo e quase autônomo”, finalizou.  

Leia Também:  Rede de Controle lançará guia para fortalecer programas de integridade

O procurador de Justiça titular da Especializada na Defesa da Probidade e do Patrimônio Público, Edmilson da Costa Pereira, apontou que o Ministério Público deve estar constantemente reavaliando seus passos e avaliando como pode exercer, cada dia mais, o mister que lhe foi delegado pela Constituição Federal. “Esse Encontro do Patrimônio Público ocorre para que possamos discutir algumas questões que por vezes deixamos de lado, mas, sobretudo, para que trabalhemos em pontos preponderantes para a nossa atuação e, especialmente, para a sociedade”, declarou. 

Entusiasta, Edmilson da Costa Pereira lembrou que ingressou na instituição antes da “reconstrução do Ministério Público” e afirmou ter certeza de que nos próximos anos haverá uma nova mudança de paradigmas sobre o que é o Ministério Público. “Vamos atuar dentro de um processo de renovação, de estabilidade, para exercer um Ministério Público que foi delegado pela Constituição, construído a partir do envolvimento comunitário e, sobretudo, daqueles que exercem poder na sociedade”, considerou.

Ao dar boas-vindas aos participantes do encontro, o coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Antonio Sergio Cordeiro Piedade, enalteceu a importância do evento. “Tenho a crença e a convicção de que precisamos trabalhar o arcabouço teórico e jurisprudencial em todo evento, mas, acima de tudo, analisarmos o chão da fábrica, o dia a dia do gabinete do promotor de Justiça para que se tenha um instrumental de uma atuação mais efetiva, abalizada, consistente e resolutiva”, enfatizou.

Leia Também:  Encontro Nacional de Mulheres do agro debateu inovação, sustentabilidade e liderança

“Precisamos trabalhar a justiça no panorama multiportas e, acima de tudo, criarmos uma unidade institucional de atuação. Embora o promotor possua independência funcional, é necessário compreendermos que, na medida em que criamos teses de atuação, fortalecemos a instituição”, acrescentou.  

O encontro é uma realização conjunta da Procuradoria Especializada na Defesa do Patrimônio Público e da Escola Institucional do MPMT. Após a abertura oficial, foi realizado o primeiro painel, com o tema “Atuação em ‘prol da probidade (atuação proativa)’ e contra a improbidade administrativa após as mudanças introduzidas pela Lei 14.230/2021”. O assunto foi abordado pela promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP) Beatriz Lopes de Oliveira. O promotor de Justiça Henrique de Carvalho Pugliesi atuou como debatedor. 

Ainda pela manhã ocorreu a discussão sobre “Propósito das inovações para fortalecer a priorização coletiva para preservação do Patrimônio Público com foco nos objetivos estratégicos do biênio 2024/2025: Gestão e Educação Patrimonial”, mediada pelo procurador de Justiça Edmilson da Costa Pereira. No período vespertino, a partir das 14h, ocorrerá o painel “Autocomposição e a transição de Jano: caminhos para a inserção do Ministério Público na Justiça Consensual”, com o promotor de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) Marcus Aurélio de Freitas Barros. O evento termina com debates sobre os temas abordados no decorrer do dia. 
 

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Ministério Público MT

Júri condena réu a 48 anos por feminicídio e homicídio qualificado

Published

on

O Tribunal do Júri da Comarca de São José dos Quatro Marcos (315 km de Cuiabá) condenou, nesta quarta-feira (22), Millykovik de Almeida Pereira a 48 anos, 7 meses e 10 dias de reclusão, em regime fechado. O réu foi responsabilizado por duplo homicídio qualificado, sendo um deles reconhecido como feminicídio, cometido no contexto de violência doméstica e familiar, com emprego de recurso que dificultou a defesa das vítimas.O julgamento contou com a atuação do promotor de Justiça Jacques de Barros Lopes, que representou o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) durante a sessão plenária e sustentou a tese acusatória, defendendo o reconhecimento das qualificadoras descritas na denúncia.De acordo com a acusação, o crime ocorreu na madrugada do dia 26 de junho de 2025, por volta das 3h40, em uma residência localizada na Rua Fortaleza, nas imediações do Mini Estádio Municipal de São José dos Quatro Marcos. As vítimas foram Marielly Ferreira Campos, de 16 anos, companheira do réu, e Wallisson Rodrigo Scapin Gasques, de 25 anos.Conforme apurado nas investigações, o réu mantinha um relacionamento amoroso com a adolescente, mas tinha conhecimento de que ela também se envolvia afetivamente com a outra vítima, situação que já havia motivado desentendimentos anteriores. Na madrugada dos fatos, ao se dirigir até a residência onde Marielly se encontrava, Millykovik de Almeida Pereira flagrou a jovem e Wallisson juntos em um dos cômodos da casa.Dominado por intenso sentimento de raiva, ciúmes e inconformismo, o acusado empunhou uma faca e desferiu diversos golpes contra as duas vítimas. O Ministério Público sustentou que o ataque ocorreu de forma repentina, durante a madrugada, em ambiente fechado, impedindo qualquer possibilidade de defesa ou reação das vítimas.Durante o julgamento, os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público, reconhecendo o feminicídio em razão da condição do sexo feminino da vítima Marielly, no contexto da violência doméstica e familiar, além do motivo torpe e do recurso que dificultou a defesa das vítimas.Diante da gravidade dos fatos, o Juiz Presidente fixou a pena em patamar elevado, determinando o cumprimento em regime fechado e a manutenção da prisão do réu.“Trata-se de uma condenação que reafirma o compromisso do sistema de Justiça com a proteção da vida das mulheres e com o enfrentamento à violência doméstica e familiar. Além disso, a pena aplicada reflete a gravidade dos fatos e a forma covarde como o crime foi cometido”, destacou o promotor de Justiça.

Leia Também:  Profissionais do SUS podem se inscrever para Encontro Mato-grossense de Humanização em Saúde

Fonte: Ministério Público MT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

FAMOSOS

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA