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Ações da saúde em Cuiabá são alinhadas em reunião promovida pelo MPMT

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Com o objetivo de melhorar a prestação de serviços e a qualidade da Saúde em Cuiabá, a 7ª Promotoria de Justiça Cível de Cuiabá – Tutela Coletiva da Saúde promoveu uma reunião entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da capital e a Equipe de Apoio e Monitoramento (EAM) do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado para colocar fim à intervenção na área da saúde. Cerca de 25 pessoas participaram do encontro realizado na Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, na tarde desta quarta-feira (24).

“O intuito da reunião é promover uma aproximação entre as equipes e auxiliar na fiscalização do TAC firmado pela Procuradoria-Geral de Justiça com o Município e homologado pelo Tribunal de Justiça para colocar fim à intervenção na saúde em Cuiabá. A ideia é que despolitizemos esse processo e que debatamos a saúde sem trocar acusações, olhando para frente, realizando encontros mensais para alinharmos os pontos levantados pelas partes”, explicou o promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, reforçando o comprometimento da SMS e da EAM para a solução da questão.

A coordenadora da Equipe de Apoio e Monitoramento do TAC, Danielle Carmona, reforçou que o objetivo é de buscar um alinhamento em benefício da população. “Queremos estreitar os laços para que possamos executar o nosso trabalho e vocês também”, consignou. O secretário municipal de Saúde, Deiver Alessandro Teixeira, acrescentou que é preciso unir esforços para buscar recursos e ajudar a população que está sofrendo com os problemas no setor. “Queremos de fato avançar e colocar fim ao embate”, disse. 

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Na primeira reunião articulada pelo MPMT, estiveram em pauta a dificuldade de acesso da EAM aos sistemas da SMS, a falta de medicamentos na atenção básica e as obras de reforma paralisadas das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Danielle Carmona relatou dificuldades de acesso da equipe responsável pela fiscalização do TAC aos sistemas da Secretaria, informando que já recebeu liberação para alguns, mas que ainda faltam cerca de sete para serem liberados. Sobre a questão, ficou acordado que a EAM encaminhará até amanhã (25) lista detalhada com os acessos já concedidos e os que ainda faltam, e que até a próxima segunda-feira (29) a SMS fará a liberação.

Ao destacar que a principal função do município é cuidar da atenção básica, o promotor de Justiça Milton Mattos pediu um posicionamento do Município a respeito da falta de medicamentos e das obras nas unidades. O secretário Deiver Teixeira informou que realizou hoje (24) uma compra de medicamentos e que até a segunda quinzena de fevereiro os remédios estarão disponíveis nas unidades.

Sobre as obras, solicitou a possibilidade de um aporte extra de recursos, na ordem de R$ 6 milhões, para terminar a reforma de 30 unidades na capital, uma vez que o Governo do Estado já destinou cerca de R$ 5 milhões para as obras. O encaminhamento dado ao tema foi de o Município verificar junto à Secretaria de Estado de Saúde (SES) esse aporte. O MPMT se dispôs a intermediar esse contato e também de levantar recursos por meio de outros acordos.

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Outros temas – Também foram tratadas na reunião a estadualização da regulação e a dilação de prazo para cumprimento do TAC. No que tange à regulação, identificou-se que o impasse é a falta de comunicação e ficou acertada a realização de uma reunião de alinhamento na sexta-feira (26) entre SMS, Empresa Cuiabana de Saúde Pública e Superintendência de Regulação do Estado.

No tocante ao TAC, o Município informou que são aproximadamente 200 compromissos assumidos, que está na expectativa de atender imediatamente cerca de 95% das cláusulas e que já solicitou a dilação de prazo para as demais. A equipe de monitoramento informou que não há problema em aumentar o prazo desde que haja justificativa para o pedido.

Por fim, Milton Mattos enalteceu o empenho das partes. “Todos querem que a Secretaria Municipal tenha êxito na gestão da saúde, para que os cidadãos sejam bem atendidos. Não há interesse no retorno da intervenção”, discorreu. O promotor de Justiça considerou o encontro positivo e pré-agendou o próximo para 29 de fevereiro. “Essa reunião vai salvar muitas vidas e melhorar a qualidade do serviço ofertado à população que mais precisa. O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores patrimônios do Brasil e temos uma responsabilidade gigantesca de zelar por ele”, finalizou.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MP e Judiciário lançam Programa Semear para ressocialização em MT

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A integração entre o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e o Poder Judiciário Estadual (PJMT) foi um dos destaques no encerramento do Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, realizado nesta sexta-feira (29). A atuação articulada entre as instituições, responsável por avanços significativos, foi apontada como um diferencial e resultou no lançamento oficial do Programa Semear (Sistema Estadual de Métodos para Execução Penal e Adaptação Social do Recuperando) em Mato Grosso, durante o evento.A iniciativa tem como objetivo promover maior efetividade na recuperação de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional. A proposta busca fortalecer a assistência às pessoas privadas de liberdade. Além disso, o programa prevê ações voltadas à valorização dos servidores do sistema prisional, reconhecendo o papel essencial que desempenham como agentes de transformação no processo de ressocialização.Implantado no Estado de São Paulo há quase 11 anos, o Programa Semear já apresenta resultados expressivos, com a execução de 1.393 projetos em 159 unidades prisionais, beneficiando 52.862 pessoas. De acordo com dados da 6ª aferição de reincidência criminal, 82% dos participantes que conquistaram a liberdade não retornaram ao sistema penitenciárioEm Mato Grosso, o Semear é resultado do Termo de Cooperação Técnica (TCT) nº 32/2024, firmado em 17 de dezembro de 2024, reunindo esforços do MPMT, do TJMT, da Defensoria Pública (DPMT), do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), e do Instituto Ação pela Paz.“Embora tenhamos debatido temas complexos e desafiadores ao longo destes dois dias de evento, encerramos este encontro com uma mensagem de esperança. Tivemos a oportunidade de conhecer resultados concretos de programas e ações desenvolvidos no Estado de São Paulo, iniciativas que vêm promovendo mais luz, pacificação e compreensão, além de ampliar as possibilidades de reintegração social de pessoas em processo de recuperação”, avaliou a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal do MPMT.Para ela, o Programa Semear Mato Grosso nasce com esse propósito e está plenamente preparado para levar essa mesma perspectiva ao sistema penitenciário do nosso estado, fortalecendo caminhos mais humanos e eficazes de ressocialização. Importância da ressocialização – Para apresentar o Programa Semear, foram convidados o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz, Solange Senese, e o agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste paulista, Jean Ulisses Campos Carlucci.Ao abordar o tema, Solange Senese destacou a necessidade de repensar o modelo atual de enfrentamento da criminalidade. “Se o problema é sistêmico e não podemos deixar de prender as pessoas que cometem crimes, porque viraria uma bagunça, e também não conseguimos construir presídios na velocidade necessária, então, que tal pensarmos em recuperar as pessoas?”, questionou a diretora executiva do Instituto Ação Pela Paz.A diretora chamou atenção para os índices de reincidência no país. “Se os índices do país indicam que 42% das pessoas que saem do sistema prisional não voltam, ainda existe um volume muito grande que retorna ao sistema, retroalimentando essa necessidade de construir presídios. Então, vamos, neste momento, falar um pouco sobre isso, sobre uma experiência que está sendo realizada no estado de São Paulo”, acrescentou.Durante a apresentação, a palestrante explicou o funcionamento do Programa Semear e destacou o impacto positivo de atividades como música, esporte e xadrez na redução da reincidência criminal. Também apresentou dados que demonstram que o investimento na recuperação de pessoas privadas de liberdade pode gerar economia aos cofres públicos, ao reduzir a demanda por novas unidades prisionais.Solange Senese ainda enfatizou a necessidade de atuação integrada entre instituições. “Quando vejo o Tribunal de Justiça e o Ministério Público trabalhando juntos, percebo um avanço importante. O que funciona é a união de esforços. Se o crime se organiza, por que o Estado e a sociedade civil também não podem se organizar de forma eficiente?”, afirmou.Segundo a especialista, o modelo propõe a integração efetiva entre órgãos do sistema de justiça e parceiros institucionais, aliada à adoção de metodologias baseadas em evidências para identificar quais ações geram melhores resultados. “Prender é dever do Estado, mas a recuperação depende de toda a sociedade”, pontuou.Outro eixo central do programa é o monitoramento contínuo dos resultados, com base em dados que permitam medir o impacto das ações na redução da reincidência e orientar a replicação de práticas eficazes. A iniciativa também valoriza a participação organizada da sociedade civil, de forma complementar ao poder público, e destaca o protagonismo dos policiais penais e dos próprios reeducandos no processo de transformação.Evolução da pena – O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Luiz Antonio Cardoso, propôs uma reflexão sobre a transformação do conceito de pena ao longo da história, destacando a passagem de um modelo centrado no castigo para outro voltado à recuperação. Em sua análise, ele ressaltou que a atuação isolada do Judiciário e do Ministério Público é insuficiente para promover a efetiva ressocialização, tornando indispensável o envolvimento da sociedade civil nesse processo. “A pessoa é recuperável e se é recuperável, é aí que nós vamos entrar”, afirmou.Ao contextualizar historicamente o sistema punitivo, o magistrado mostrou como a prisão deixou de ser apenas um espaço de custódia que antecedia punições mais severas para assumir a função de reintegrar o indivíduo à sociedade. Nesse cenário, destacou o Programa Semear como uma experiência bem-sucedida em São Paulo, baseada na colaboração entre o poder público e a comunidade, com foco na redução da reincidência criminal e na humanização da execução penal. Para ele, a participação social não é apenas desejável, mas uma exigência para que a justiça alcance resultados concretos.“Nós, juízes, nós, Ministério Público, não damos conta da execução da pena. Damos conta das execuções em termos de progressão, regressão, remissão e de todos os temas relacionados à execução. Mas a execução da pena não é apenas isso. Se nós não alcançarmos a ressocialização, a recuperação da pessoa, de que adianta o trabalho da polícia e da Justiça? É um trabalho perdido”, afirmou.O desembargador concluiu com um alerta sobre as consequências de um sistema que não consegue transformar trajetórias. “É um trabalho perdido para todos nós quando devolvemos à sociedade uma pessoa marcada pela prática do crime e que não sofreu mudança nenhuma. É aí que nós precisamos, e muito, da atuação da sociedade civil”, defendeu.Reintegração na prática – O agente de segurança penitenciária e coordenador dos presídios da região noroeste do Estado de São Paulo, Jean Ulisses Campos Carlucci, destacou, durante palestra, a importância da atuação integrada entre instituições para a redução da reincidência criminal. Representando a Secretaria de Administração Penitenciária, ele ressaltou a consolidação da parceria com o Programa Semear ao longo de mais de uma década, envolvendo poder público, Judiciário e sociedade civil. “O fundamento maior é a busca pela diminuição da incidência criminal”, afirmou. Jean Carlucci também apresentou um panorama do sistema prisional paulista, que conta com cerca de 180 unidades e aproximadamente 228 mil pessoas custodiadas, além da recente estruturação da Polícia Penal, responsável pela gestão desses estabelecimentos.Ao abordar a reintegração social, o coordenador enfatizou que ela não é uma ação complementar, mas uma obrigação institucional. “Não estamos fazendo nada além do que a nossa obrigação legal enquanto gestores do sistema prisional”, pontuou. Ele relatou experiências bem-sucedidas iniciadas em Limeira, como projetos de esporte, capacitação profissional e atividades psicossociais, que contribuíram para mudanças de comportamento e redução de faltas disciplinares. Segundo Jean Carlucci, os resultados evidenciam a importância de iniciativas estruturadas e do engajamento das equipes locais, que devem identificar lideranças internas para conduzir os projetos e adaptar as ações à realidade de cada unidade.“Hoje, vocês têm o catálogo de possibilidades. Os cursos são adaptáveis, são para qualquer unidade, com estrutura grande ou pequena. E o diferencial são os senhores, são os gestores de cada unidade. Se vocês não capitanearem esse trabalho, não apontarem a pessoa certa como ponto focal, não vai ser executado. Então, vocês têm aí um terreno fértil, em conjunto com o Ministério Público e com o Poder Judiciário, para avançar nesse trabalho que busca a diminuição da incidência criminal em Mato Grosso”, finalizou.Projeto Lótus – Se a união e o trabalho conjunto são apontados como o verdadeiro segredo para o sucesso das iniciativas, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente aproveitou o evento para apresentar o Projeto Lótus, desenvolvido em parceria com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e voltado aos profissionais do sistema penitenciário.Como parte de uma dinâmica de sensibilização, os participantes do encontro técnico receberam, no início da manhã, um presente embalado e foram convidados a abri-lo apenas no fim do evento. Dentro da sacola, havia uma luminária do Projeto Lótus, que será oficialmente lançado no dia 28 de agosto, em Cuiabá.“Essa luz, na verdade, simboliza a nossa luz interior. Cada ser humano tem a sua luz, nós temos luz, nós somos luz. E essa luz precisa brilhar. Ela deve fazer a diferença onde quer que estejamos. E por que não fazer essa diferença também no sistema penitenciário? Vamos, sim, ser agentes de transformação”, afirmou a procuradora de Justiça, ao encerrar a apresentação.“E, se este projeto for um sucesso, como será devidamente aferido, levaremos essa tecnologia social que vocês estão construindo, e que nasce a partir de vocês, para todo o país”, acrescentou Solange Senese.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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