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Queda de preço da arroba leva Governo a renegociar dívidas dos produtores

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Os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário estão coordenando esforços para estender o prazo de pagamento das dívidas em setores impactados pela queda nos preços. A pecuária de corte é um desses segmentos, e a redução no valor da arroba é uma das principais razões, em decorrência do ciclo pecuário.

O ministro Carlos Fávaro observou que há a possibilidade de estender automaticamente os prazos de financiamento, com foco especial no Banco do Brasil. O Ministério da Agricultura também se uniu ao Banco Central para sugerir que outras instituições financeiras adiem os vencimentos de pecuaristas que enfrentam dificuldades financeiras.

Fávaro enfatizou: “Os custos dos insumos diminuíram, voltando à normalidade. As perspectivas apontam para melhorias no mercado de carne em 2024 e 2025, com preços mais favoráveis.”

Wilson Vaz de Araújo, secretário substituto de Política Agrícola, mencionou que o Ministério está acompanhando situações que não se encaixam nas prorrogações automáticas, considerando a possibilidade de medidas adicionais.

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O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, declarou que retomará as discussões com o Ministério da Fazenda para criar um programa abrangente de renegociação de dívidas dos produtores rurais, com foco especial nos pequenos agricultores. O programa, ainda em fase de estudo, visa proporcionar condições para que os agricultores obtenham empréstimos, apesar de suas dívidas.

Teixeira também mencionou que, em relação à seca no Norte do país, estão sendo consideradas medidas específicas para os agricultores do Amazonas, seguindo uma abordagem semelhante à que foi adotada no Rio Grande do Sul em resposta à estiagem e ao ciclone.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba

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O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.

A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).

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O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.

O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.

O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.

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Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.

Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.

Fonte: Pensar Agro

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